segunda-feira, 24 de agosto de 2015

CUNVERSÊ, CECÊ, TROCA-TROCA

Dia que a coisa anda não tem igual. Mal tive tempo de ficar entediada ou depressiva, o dindim fácil fácil, um cliente atrás do outro. Abusei do romance, muita çedussaummm, fiz até minha estreia em caminhão (não na boléia, mas mesmo assim quem é que não queria?). Era nem sete da noite quando pisei na rua, poucos carros passando, eu já me preparando pro pior, quando pára o primeiro. Moço pra lá de tímido, entrado nos enta, barbudo, gordinho, forte, mãos ásperas arranhando as minhas, pedindo carinho, cecê gritando ardido no meu nariz mesmo à distância. Ficamos no cunversê bons minutos até que ele se decidisse, mas nada de carro ou serviço expresso: "topa um drive-in? Quero poder te curtir bem, pelo menos uma horinha e quinze..." Fechamos em quarenta reais e lá fomos nós, eu acariciando o menino dele por cima da calça, fazendo a carinhosa, a simpática. "Vai me deixar cuidar desse meninão gostoso?". "É pequeno", ele respondeu. "Quero ver se não fica gigante na minha boca".

O bom do drive-in é que tinha banheiro e ducha, pra onde ele correu logo que chegou. Não resolveu o drama, cecê seguiu firme e forte, mas pelo menos uma melhoradinha isso deu. Nós nus na cama, esfrega-esfrega, não ficou muito claro o script, me preparo pro oral e já pego de cara a camisinha pra não pensar bobagem (tem vezes que, ai, sinto tanta vontade de provar o gostinho, de sentir na boca: cadê namorado, gente, tou precisada!). Desenrolo a camisinha com a boca na neca dele, sentindo endurecer aos poucos, as mãos livres massageando bolas, períneo, o cuzinho quase, ver se descubro oqq ele tava afim. Ele vai deixando, se soltando à medida que me aproximo com os dedos do ponto G, massageando a área com delicadeza. Paro o oral e começo a explorar a virilha com a boca, lambidas, beijos, chupões, chego nas bolas, me detenho, engolindo-as ora inteiras, ora uma de cada vez, passeando a língua, fazendo pressão de levinho, ele deliciado se masturbando.

De repente ele me puxa de lá, olha em dúvida pra minha boca, beija meu ombro, pescoço, orelha, bochecha, queixo meio sem saber se deve (ou se pode) beijar meus lábios, aí toma coragem e ataca a minha boca, sem saber direito oq fazer ali, caoticamente beijando. Escovar os dentes não deve fazer parte do conjunto de tarefas diárias desse povo, porque o mau hálito é praxe. Beijei mesmo assim, do jeito que ele quis beijar. Ao mesmo tempo, notei que as mãos dele, como quem não quer nada, foram atrás da minha neca e lá brincavam esquecidas da vida, tentando trazê-la de volta à vida, mortinha e sepultada que estava. Gostoso até que estava, mas neca dura não é minha especialidade, aí lá vou eu fazer uso da imaginação ver se ajuda. Uma hora foi, funcionou: massageando o edi dele com os dedos, imaginando-me capaz de comê-lo, ele me masturbando, quando vi minha neca estava dura e ele prontamente montou em cima de mim, querendo encaixá-la assim mesmo, no pêlo. Fiz menção de pegar a camisinha, mas antes mesmo de se fazer necessário a neca já tinha voltado pro reino dos mortos.

Ele percebeu que não era a minha praia e não insistiu mais, nem reclamou. Voltei pro oral, ele todo senhorzão da cama só se deliciando, eu passeando os dedos pelo seu edi, massageando as bolas, chupando a neca profundamente, às vezes parando pra girar a língua ao redor da glande... uma hora gozou, sem avisar nem nada, e se deixou ficar largadão na cama. Quarenta minutos de programa, achei que ele queria um pouco mais, o tal do "me curtir bem", aí lá fui eu me aninhar em seus braços musculosos, viris, descansar um pouquinho. Mas foi só me aninhar e já veio o papo do "estamos por sua conta, viu? Sei que vc trabalha, então a hora que vc quiser, a gente vai". Homens. Mal gozou e acabou o romance. Se é assim, assim seja. Bora fazer mais aqüé.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

ÀS VEZES SÓ NOS RESTA CONFIAR

Vidros escuros semi-abaixados, carros, só vejo os olhos, eles me vêem toda. Aceno, vem cá, brinco, tremo se param, misto de medo e ansiedade, e lá vai ladainha: "programinha, amor? Oral é vinte, trinta o completo no carro". Cogitei até baixar valores, tal a demora em conseguir cliente, mas todos pra quem falei menos, cinco reais a menos, responderam o de praxe, "era só pra saber, tou dando uma volta". Catorze anos atrás, finais dos meus dezesseis anos, mesada no bolso, lá vou eu passando inadvertidamente pela região do centro onde as profissionais de rua atendem, quando uma delas me pára, me convida a subir, olhinhos meus brilham, quanto? "Vinte e oito". Fui. Por falta de troco, trinta. No auge da minha cabacice mas, à época, disposta a ser o homem que esperavam de mim, pagando de de maior, vi ali a chance de perder a virgindade. Lembro que fiquei chocada com o valor, de tão baixo... o cruel é ver hj, catorze anos depois, que a média dos valores que cobro, que todas as travestis onde trabalho cobram, é ainda menor que isso.

Dessa vez ele veio a pé, o cliente. Vários homens passam pela rua à noite, homens que não se sabe oq fazem ali a pé, homens que, com vergonha de serem vistos, andam de cabeça baixa, apressados, abusando do canto de olho, homens que fingem passar desapercebidamente mas que param ao primeiro sinal que vc lhes dê, "programinha, amor?", "o que vc disse? ah, programa, tou só dando uma volta". Acham que a gente tá lá pq quer, de graça. Esse não. Era já a terceira vez que passava por mim qdo o fisguei. Noite já garantida, oq viesse era lucro, acabei aceitando até menos doq o esperado, o vinte completo no estacionamento. "Seu pau é grande?", perguntei. "Que nada". Nada. Nem queiram saber oq ele acha pequena, então. Parece que quem tem necão tem um prazer todo todo em fingir que não é bem tão grande, em pegar a profissional de surpresa. Sorte que, já laceada do programa anterior, só precisei de uma lubrificação extra pra fazer esse deslizar pra dentro.

A cena foi rápida. Pagamento adiantado, xequei com a luz do celular se a nota era mesmo de vinte, peguei a camisinha, pendurei a bolsa num galho da árvore e já fui ajoelhando e abaixando o zíper. Encapuzada a neca, comecei o oral e fui até onde ele deixou, deixando ele a ponto de bala pra eu sofrer menos. Sofri mesmo assim. Não tinha onde encostar, transar em pé não é o melhor que se pode desejar da vida, ainda mais no meio da escuridão, sem saber direito onde piso. De repente ele puxa a minha cabeça de lá, me gira e vai logo roçando o meu edi, futucando, testando o terreno. De tanto testar, acabou entrando, mas não sem antes eu reforçar a lubrificação... já assada do cogumelo que atendi antes, esse doeu mais doq o outro por ser uniformemente grosso e não só cabeçudo. Pelo menos ele gozou logo. Qdo tirou de mim, naquele escuro, mal deu pra xecar se estava okay a camisinha: pouca visão, pressa do pós-gozo, medo de lambrecar a mão num xeque que eu por ventura tenha passado... às vezes só nos resta confiar.