segunda-feira, 6 de julho de 2015

AH SE NÃO HOUVESSE RISCOS

Do ponto de vista do feminismo radical, é um absurdo alguém defender que mulheres possam vender prazer a um homem, negociar esse prazer, pôr a ele um preço. Dar lucro a um patrão ok, submeter-se a péssimas condições de trabalho ok, mas vender prazer e ainda ousar saciar esse prazer, isso nunca! E não importa os valores da negociação, cinquenta, cem ou quinhentos reais a hora, pois, para esse feminismo, a prostituta será sempre vítima, sempre "explorada" pelo homem perverso vulgo seu cliente. Para esse feminismo o sexo não poderá jamais ser considerado um serviço, receber um valor, ainda que seja uma das experiências humanas mais essenciais, mais incontornáveis. Pessoas não terão acesso, fora da prostituição, a essa experiência? "Danem-se!" Mulheres empoderadas começam a se permitir, inclusive, requisitar esses serviços? "Elas tb são exploradas, não podemos permitir que paguem a homens, muito menos a outras mulheres, para terem prazer!"

Sento, laminto e choro, mas prefiro dar voz a nós prostitutas, ouvir nossas próprias histórias e demandas e expectativas, lutar pra que tenhamos plenas condições de escolher o caminho que quisermos, seguir na prostituição um deles. Ninguém aqui acredita, em sã consciência, que viverá pra ver o fim da prostituição. O mais urgente, portanto, é lutar por melhores condições para que essas que estão na atividade possam exercê-la em segurança. O medo que esse povo sente a gente sabe qual é: quanto menos violência envolvida, quanto menos estigma atrelado, mais mulheres vão começar a se dar ao direito de escolher se prostituir, escolher ganhar em cima do prazer de homens (e, num futuro não tão distante, inclusive a outras mulheres), e isso seja pra pagar uma conta, poder comprar algo dq sentem falta, um presente, sair no fim de semana, seja pra fazer disso sua fonte principal de subsistência, impondo o valor que desejam, um valor que lhes permita viver, mais doq sobreviver. Isso radfems não aceitam, uma mulher que escolha por livre e espontânea vontade aproveitar-se do prazer de homens para dali retirar seu sustento, ganhar saciando esses desejos, fantasias, carências, uma mulher que encontre no sexo sua realização profissional.

Afinal, quem explora quem qdo a prostituição é exercida sem risco de violência, sem o peso do estigma? Fico imaginando o dia em que a palavra "puta" não for mais xingamento, o dia em que as pessoas nem consigam mais imaginar pq um dia ela o teria sido.

2 comentários:

  1. Tentando de novo... Eu concordo com td o q foi escrito. É o mesmo caso da diarista, so pq nao se encaixa em requisitos teoricos que seriam relacao de emprego. A puta presta tambem um servico pra outra pessoa e deveria ser recompensada de acordo, com todos os direitos trabalhistas. Ja deu desse pensamento retardatario, retardado e aristocrata.

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    1. Deve-se combater a exploração aonde quer que ela apareça, nunca a profissão em si, diz a Indianara. A prostituição não é misógina por natureza, não é violenta por natureza, não é estigmatizante por natureza: é possível acreditar num futuro onde mulheres possam requisitar esse serviço em mesmo número de homens, num futuro onde haja tantos homens quanto mulheres se prostituindo e onde o exercício dessa profissão não se dê em meio a violências e estigma. Nada haveria de mal no trabalho de limpar a casa de outra pessoa, de cuidar das crianças de outra pessoa, de transar com outras pessoas se essas profissões não fossem sistematicamente estigmatizadas e, com isso, desvalorizadas... se se pagasse um preço que permitisse a essas pessoas viver uma vida digna, se se criassem condições para que essas profissões fossem exercidas sem estigma e violência, duvido que essa ladainha pelo fim da prostituição seguiria existindo.

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