segunda-feira, 29 de junho de 2015

MAIS POR VÍCIO QUE POR QUALQUER COISA

Houve dia de eu voltar pra casa com dois reais, de aceitar oral por dez só pra me proteger do frio, dia de varar madrugada atrás do bendito akué, horas ao relento, solidão, autoestima no chão em que eu pisava e repisava me sentindo um lixo, dias dias dias, até que me surgisse esse primeiro em que voltei no vermelho, tendo gastado lá mais doq ganhei. Janta, bebida, ônibus ida e volta, lugar pra deixar minhas coisas, pra me arrumar: dos trinta e tantos reais de praxe que se gasta quem quer que vc seja, só recuperei dez, dez que fiz mais por vício que por qualquer coisa, pq àquela altura eu mal imaginava a noite que enfrentaria...

Tudo se deu logo que pisei na rua, um motoboy prometendo que já tava quase, que era só começa, dez reais mas menos de dez minutos, "juro". Aceitei já pensando uma forma gozosa de narrar o causo, um paralelo entre isso e a parábola da esmola do rico e da viúva pobre talvez... dez reaizinhos suados, surrados, que ele teria que fingir pro patrão que gastou com "gasosa", não dava pra igualar isso com o ricaço que me dá a mais pq gostou do serviço. Fora a promessa dq seria pá-pum, a pizza fumegando à espera da entrega, "não tem nem como demorar, mesmo". Madrugada afora ele trabalhava pra faturar quarentinha, ele disse, eu brincando que isso era mais que muito dia de trabalho meu... nem imaginei que seria dia de viver na carne a verdade dessas palavras. Tive ainda que trocar cinquenta pra ele na pensão, pensando se não seria golpe essa pindaíba toda, se não valia a pena eu dar uma de louca e ficar com o troco, mas o cheiro da pizza era pra valer, confiei, e lá fomos nós pro matel.

Ele quis meus peitos, deixei tocar, chupar, mesmo sendo demais pra aqueles dez reais. "Sou até carinhoso, olha só como tá valendo", e nem percebia que me machucava, chupando com força, mordiscando. Engraçado isso, cliente acreditar que merece desconto por nos tratar com "carinho", respeito, por se preocupar com o nosso prazer: parece até que estão nos fazendo um favor por sair com a gente. Mas deixei ele continuar, viajar que me agradava, e fingi prazer, o meninote dele nanico querendo escapulir da cueca e lambuzar meus dedos, todo brincalhão (rebuliço aqui na calcinha agora escrevendo, recordando a cena: ando viciosa, vcs nem imaginam). Dali me agachei e já fui pondo fácil a camisinha, quase camisola de tão folgada que ficou, a neca dura, irrequieta, ansiosa... duas ou três engolidas e não teve mais jeito, ele pedindo calma, afastando a minha boca bem na hora que eu começava a gostar, "gozei".

Só dps, acabado o tesão, foi que sentimos o cheiro estranho batendo forte no nariz, ali embaixo mesmo, cheiro de quem pisou onde não devia e não era a pizza. Escuridão, não dava pra ver um palmo além do nariz, chão daqueles que é melhor nem chegar perto pra não correr risco, de tanta camisinha usada e sabe-se lá mais oq. Ele deu de ombros, subiu na moto e partiu, agradecido, agradecendo. Eu corri pra luz pra checar se não fui eu a sortuda. Não fui. Ufa. Mas antes tivesse sido isso o pior da noite.