terça-feira, 31 de março de 2015

DOIS POEMAS

I

Moira amarga amara sina
xeca quando faz a xuca
neca quando a quer a cona
qual a graça quando ela fina
quando ela pena, menina:
kétchi não se faz igual
queijo ofofi não faz mal
neca inquieta a goela língua
garra o picu força o bilau
grita a cláudia a neca míngua.



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II

Eu dou pros boy, dou sim
doce pros lixo
pras maricona
pras raxa uó

Das raxa que despreza a gente
porque tem canudo
se achando tudo
porque tem buceta
as travestir
a gente raxa de rir

As cona que já vêm na neca
que quer ser boneca
na cama
que quer ser mulher
a gente faz pelo acuér

Faz a linha amapô
quando vê boy-magia
a Débora Kerr
(até sem acuér)
a Beth Faria

Neca já tem
edi tá ok
mas cadê o peitão?

sexta-feira, 13 de março de 2015

AFINAL, O QUE QUEREM AS PROSTITUTAS?


Andei meio sumida daqui, vcs viram, não virão mais. Aquele mal-entendido básico fez o RostoLivro ler indecência onde havia não mais que realismo vulgar, do mais pé-no-chão, coisa aq a família brasileira não anda acostumada. Ainda. Ainda assim, travesti é isso, puta é também, vão querer continuar fingindo que a gente não existe, que isso aí não existe pra gente? Sento laminto choro, não deu, não vai dar. O pai de família respeitável que atendo na zona acha um barato papar a mim por dindim, o fim da picada eu contar a historinha pra meio mundo. Comecei por safadeza mesmo, assumo, carência brutal, vontade que me desejassem, pegassem, pagassem por mim, mas rapidim eu vi que não era assim bom como eu sonhava, e aí escrever sobre, poder escrever sobre, começou a ser razão de eu continuar. Qto vcs saberiam da vida por trás dos panos da profissão mais mal-falada do mundo não fosse por mim? Venho sendo entrevistada em td qto é canto, convidada pra dar palestra em universidade, pra dividir mesa com vereador, pra ser capa de jornal botando a Miss Mundo e o Pelé de escanteio, pra participar de documentário, e não é à toa... quem toca esse discurso assim, na caruda, doa a quem doer, são poucas no Brasil, loucas como eu.

Mas coisas vão mudar. Obissenidade mesmo só vai ter por assim dizer lá no blog, link em todos os posts que eu fizer a partir de agora, aí é só clicar e o circo pega fogo. Aqui mesmo, na página, reservarei espaço só praquele papo mais sussa, mais cabeça, que o pai-de-família não leve a mal. Quanto ao mais, sintam-se novamente em casa, curtam, convidem amigues, comentem, compartilhem: a casa é de vosmecês!

sábado, 7 de março de 2015

NOITES E NOITES

Nasce uma biografia! Começam enfim as entrevistas que darão na história de Betinho, jovem homossexual que, vivendo em abrigos até completar dezoito anos, encontrou na prostituição e na pornografia meios de sobreviver, agora um meio de se fazer ouvir... uma pitadinha doq vem pela frente, olhem só. E aguentem a bomba.

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"NOITES E NOITES

Pura inocência ou nem sei mais, mas por anos me culpei pelo que vivi na infância. Várias vezes cheguei a dizer a mim mesmo, tentando me convencer disso, que era a minha voz fina ou meus trejeitos, já de gay pequenino mas ainda assim de gay, oq facilitou que tudo acontecesse. Era já pôr-do-sol quase anoitecer, um dia qualquer não fosse esse o dia. Eu estava dormindo quando algo mexeu no meu rosto e me acordou, ele bem maior do que eu, cueca abaixada, a coisa esfregando em minha boca. Grosso, imenso, a espessura era maior que a do meu braço, o comprimento, bem, eu mal via as bolas. Fiquei quieto, não gritei nem reagi. Não era algo consentido ou desejado (oq é desejo ou consentimento num momento desses?), mas eu estava em êxtase ali.

À medida que introduzia em minha boca eu sentia a coisa babar, babando cada vez mais dura, eu gostando mas congelado de medo, sem dar um pio, sem me mover a não ser meu pipi, também ereto, cutucando durinho o cobertor quase como se quisesse furar a cueca. A noite seguia adentro e a coisa cada vez mais dentro da minha boca, cada vez mais fundo. Claro que não cabia inteira, mas não foi por falta de tentar, até que senti algo jorrando quente na garganta, nunca tinha sentido algo assim antes, gosto agridoce, cheiro de cândida, não sei definir bem, mas espesso e em quantidade. Engasguei e me levantei em seguida, fazendo de conta que estava acordando justo naquele momento... ele só me olhou e disse "você gosta ein, putinha!"

Pior que eu estava gostando, embora não fizesse ideia doq fosse aquilo, não sabia sequer que era um ato sexual. Engoli por não saber oq fazer e não gozei pois nem sabia que era possível, história essa que não causaria estranheza a ninguém se na ocasião eu não tivesse apenas seis anos. Descobri só mais tarde que aquilo era ejaculação (e a minha própria, a primeira, só veio mesmo alguns bons anos depois), mas tive ali a primeira experiência no assunto, a minha primeira relação se assim posso chamar, coisa que se repetiria ainda tantas e tantas noites, eu querendo às vezes, às vezes não, mas depois te conto...

Betinho"