sábado, 28 de fevereiro de 2015

GRIZELDA E A LÍNGUA DOS HOMENS

[contribuição anônima toda especial duma companheira travesti do Itatinga, as monas começando a pôr a mão na massa pra elas mesmas escreverem suas histórias]

"Bem, lá estava eu no final de tarde, segundo programa, vinha um ônibus, rapaz dirigindo, eu já imaginando que ia parar pra mim. Deu duas voltas no quarteirão, na primeira só de olho com aquela cara de quem queria parar, mas na segunda ele já foi parando, abriu a porta do ônibus e 'e aí, gata, qto é o programa?' 'Cinquenta no quarto, trinta no carro', eu disse. 'Trinta tb no ônibus?' Isso. Aí ele me olhou com cara de safado, eu mega sem jeito com isso, e ele 'monta aí!' Pois é, monta aí, vamos lá. 'Mas onde que a gente vai?' perguntei eu, pensando que o ônibus não entraria no estacionamento. 'Qualquer lugar, aqui dentro não dá pra ninguem ver a gente', ele disse. Então tá, fomos pra um lugar bem próximo e, chegando lá, ele me diz que tinha comido a última passageira dele mas que não era bem oq ele tava buscando, o sexo que ele queria... por isso foi no Itatinga, aí me viu, disse que gostou de mim e imaginou que seria eu quem satisfaria o desejo dele – "o sexo que ele queria", guardem isso. Eu nervosa, sempre fico nervosa na hora de fazer programa, com qqr um q seja, fiquei conversando um pouco, puxando assunto enqto não começava.

Fomos então pro fundo do ônibus, tirei a roupa, ele pediu que eu baixasse a calça dele (acho q achou que seria excitante), tá, eu fiz, pinto mole, super mole, super pequeno, pus a camisinha, com a boca mesmo senão não dá pra pôr, pinto mole. Comecei a chupar, foi endurecendo, aí tá, chupei chupei chupei, dizendo ele que tava gostando, boca macia, deliciosa, 'vc nasceu pra fazer chupeta'. Eu tava já machucada dum outro programa que fiz, aí lembrei que tinha esquecido o gel e já imaginei que doeria, como de fato doeu, mesmo o pinto dele sendo pequeno. Pra entrar foi uma dificuldade, machucada é sempre isso, mas aos poucos foi enlarguecendo e, tá, entrou. Ele ficou bombando, bombando, falando que eu era gostosa, que encontrou oq queria, foi lá pegando minha neca, tentando que ficasse dura mas nem sinal – eu sem um pingo de tesão nele, só desejando que gozasse logo, e demorou ainda. Aí ele 'tou com vontade de gozar', e eu, tentando fazer a sensual, um fracasso até nisso, charme nenhum, disse 'ai, então vai, goza, amor'. Foi quando ele disse: 'te dou duzentos pra vc deixar eu gozar lá dentro do seu cuzinho'. Fiquei assustada, gritei 'não' sem nem pensar, e ele continuou:

- Mas eu sou casado, olha só a aliança... não tenho doença nenhuma não.

- Eu não, não sei do seu histórico de vida, com qtas vc pediu isso, 'encher o cuzinho de porra'.

- Eu sou saudável, acredita em mim, olha a minha aliança... Te dou trezentos então!

Achou que dobrando o valor ia me convencer, fiquei foi é mais assustada. Respondi q não e ele q parasse de insistir. Ele ficou triste, mas continuou: 'tá bom, vc vai perder trezentos reais... não é melhor trezentos doq trinta?' Nessa hora vc já vai vendo oq significa "tá bom" na língua deles. 'Dinheiro é tentador, mas eu prefiro trinta doq consciência pesada', respondi. 'Mas eu já falei, não tenho doença não, vc não acredita... eu sou casado!' Sempre a mesma história. Ele parava de bombar qdo falava, e tava já doendo esse negócio de ficar bombando e não gozar duma vez, então eu disse 'ai, goza logo, amor, vai, tá machucando'. Ele gozou enfim, aí fui na minha bolsa pegar papel pra a gente se limpar, clima super chato, cabou o papo: com tesão o lixo era super gentil, mas foi só gozar e ficou um gelo comigo (e eu já tou até acostumada, mas qdo acaba prefiro sair de perto o mais rápido possível pra não ter que lidar com isso). Desci do ônibus ali mesmo e fui a pé de volta pro meu ponto. E foi isso."

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