sábado, 28 de fevereiro de 2015

GRIZELDA E A LÍNGUA DOS HOMENS

[contribuição anônima toda especial duma companheira travesti do Itatinga, as monas começando a pôr a mão na massa pra elas mesmas escreverem suas histórias]

"Bem, lá estava eu no final de tarde, segundo programa, vinha um ônibus, rapaz dirigindo, eu já imaginando que ia parar pra mim. Deu duas voltas no quarteirão, na primeira só de olho com aquela cara de quem queria parar, mas na segunda ele já foi parando, abriu a porta do ônibus e 'e aí, gata, qto é o programa?' 'Cinquenta no quarto, trinta no carro', eu disse. 'Trinta tb no ônibus?' Isso. Aí ele me olhou com cara de safado, eu mega sem jeito com isso, e ele 'monta aí!' Pois é, monta aí, vamos lá. 'Mas onde que a gente vai?' perguntei eu, pensando que o ônibus não entraria no estacionamento. 'Qualquer lugar, aqui dentro não dá pra ninguem ver a gente', ele disse. Então tá, fomos pra um lugar bem próximo e, chegando lá, ele me diz que tinha comido a última passageira dele mas que não era bem oq ele tava buscando, o sexo que ele queria... por isso foi no Itatinga, aí me viu, disse que gostou de mim e imaginou que seria eu quem satisfaria o desejo dele – "o sexo que ele queria", guardem isso. Eu nervosa, sempre fico nervosa na hora de fazer programa, com qqr um q seja, fiquei conversando um pouco, puxando assunto enqto não começava.

Fomos então pro fundo do ônibus, tirei a roupa, ele pediu que eu baixasse a calça dele (acho q achou que seria excitante), tá, eu fiz, pinto mole, super mole, super pequeno, pus a camisinha, com a boca mesmo senão não dá pra pôr, pinto mole. Comecei a chupar, foi endurecendo, aí tá, chupei chupei chupei, dizendo ele que tava gostando, boca macia, deliciosa, 'vc nasceu pra fazer chupeta'. Eu tava já machucada dum outro programa que fiz, aí lembrei que tinha esquecido o gel e já imaginei que doeria, como de fato doeu, mesmo o pinto dele sendo pequeno. Pra entrar foi uma dificuldade, machucada é sempre isso, mas aos poucos foi enlarguecendo e, tá, entrou. Ele ficou bombando, bombando, falando que eu era gostosa, que encontrou oq queria, foi lá pegando minha neca, tentando que ficasse dura mas nem sinal – eu sem um pingo de tesão nele, só desejando que gozasse logo, e demorou ainda. Aí ele 'tou com vontade de gozar', e eu, tentando fazer a sensual, um fracasso até nisso, charme nenhum, disse 'ai, então vai, goza, amor'. Foi quando ele disse: 'te dou duzentos pra vc deixar eu gozar lá dentro do seu cuzinho'. Fiquei assustada, gritei 'não' sem nem pensar, e ele continuou:

- Mas eu sou casado, olha só a aliança... não tenho doença nenhuma não.

- Eu não, não sei do seu histórico de vida, com qtas vc pediu isso, 'encher o cuzinho de porra'.

- Eu sou saudável, acredita em mim, olha a minha aliança... Te dou trezentos então!

Achou que dobrando o valor ia me convencer, fiquei foi é mais assustada. Respondi q não e ele q parasse de insistir. Ele ficou triste, mas continuou: 'tá bom, vc vai perder trezentos reais... não é melhor trezentos doq trinta?' Nessa hora vc já vai vendo oq significa "tá bom" na língua deles. 'Dinheiro é tentador, mas eu prefiro trinta doq consciência pesada', respondi. 'Mas eu já falei, não tenho doença não, vc não acredita... eu sou casado!' Sempre a mesma história. Ele parava de bombar qdo falava, e tava já doendo esse negócio de ficar bombando e não gozar duma vez, então eu disse 'ai, goza logo, amor, vai, tá machucando'. Ele gozou enfim, aí fui na minha bolsa pegar papel pra a gente se limpar, clima super chato, cabou o papo: com tesão o lixo era super gentil, mas foi só gozar e ficou um gelo comigo (e eu já tou até acostumada, mas qdo acaba prefiro sair de perto o mais rápido possível pra não ter que lidar com isso). Desci do ônibus ali mesmo e fui a pé de volta pro meu ponto. E foi isso."

sábado, 21 de fevereiro de 2015

NA HORA DE PÔR EU PONHO (II)

Toda vez me perguntam, e eu mesma me pergunto tb, pq não simplesmente me desvencilhei das mãos dele e corri de lá, atrás de outro programa, um lixo q me tratasse melhor? Eu já vinha superando a crise que tive cuzomicis, em especial clientes, mas foi pisar na rua e td aquilo voltou com força -- falta que senti dum objeto cortante, a todo momento pensando na frase que ouvi duma radfem "homens mortos não estupram", cismisandria gritando. Pq não foi só tentar me forçar no muque a chopá-lo sem guanto (oq ele conseguiu em parte, sempre reafirmando que não tinha doença alguma [eu era a primeira travesti com quem ele saía, como é que ele teria doença!?], querendo me obrigar à força a acreditar nisso, e além disso foda-se em que condições se encontraria sua neca [eu teria tb que acreditar que estava limpa, não importa se de fato olfato, tato, visão e paladar não concordassem nadinha]), oq já era um absurdo, foi tb em seguida, qdo saímos do carro pra ele vir me comer, ver ele imobilizar meus braços com um abraço por trás e, já sem guanto (a neca era grossa demais qdo dura, não dava pra pôr direito), tentar me convencer a dar pra ele no pêlo, novamente no muque! A frase aqui mudou, inclusive, e tive que ouvir coisas que jamais julguei que ouviria: se antes era "faz o oral sem, na hora de pôr eu ponho", agora ele começava a repetir incansável "deixa eu pôr um pouco, a cabecinha só, na hora de gozar eu tiro". Por trinta reais, mas ainda que fosse trezentos. Eu tendo que me virar pra escapulir dos braços dele, pra não deixar ele me penetrar (pressionei o ânus o mais que deu, não passava uma agulha), medo de gritar por ajuda e cair no conceito das minhas colegas, certeza dq dps daquilo eu não teria condições de continuar trabalhando e então seria importante, necessário até, fazer aquele dinheiro pra não voltar negativa pra casa... e eu jurei pra mim mesma que jamais tiraria do bolso pra trabalhar.

Sabem oq foi que me salvou enfim? O piroco broxou no meio das tantas resistências que eu lhe impunha. Ele broxando toda vez que eu trazia a camisinha pro oral (gastei três nessa brincadeira), dessa vez broxou foi pela demora e dificuldade de obter oq desejava. Foi isso oq impediu que eu tivesse que me atracar com ele, medir forças (ele uma montanha!), gritar por ajuda, correr. Broxou e aí, pra não voltar desgostoso pra casa, pra esposa talvez (aliás, como não me sentir um lixo imaginando-me cúmplice doq ele faz com a mulher?), pediu que eu pelo menos batesse uma até ele gozar. E eu o fiz, cheia de nojo mas fiz, só querendo que acabasse logo, o lixo ainda fazendo com que eu me contorcesse toda pra conseguir ao mesmo tempo bater uma pra ele e ficar massageando seu edi e próstata, eu torcendo que estivessem limpos. Me deu cinquenta reais em compensação, como se vinte ou qqr valor a mais compensasse, pediu meu telefone (e eu, ainda em choque, dei meio sem saber pq) e veio se despedir com um selinho e "gostei de vc, vc é mto bonita". E eu achando no começo que ele por me beijar, por me tratar com carinho, por não barganhar valores, seria uma boa experiência pra me ajudar com essa crise... Saí de lá arrasada, vontade de sumir, e ainda tive que passar no meio dessa festa pirôca misógina de mrrrrda (pleno sábado de Carnaval) no caminho pra casa.

A campanha feminista do "NÃO É NÃO" precisa urgente ganhar meretrícios, empoderar prostitutas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

50CM DO MAIS PURO PRAZER

Tem dias em que acordo um pouco diferente, com uma vontade súbita de poder ter aquilo quentinho nas mãos e lógico na minha boca. Como quase nunca acordo de bom humor e nem muito bem disposta, por vezes deixo essa vontade passar, mas há dias em que a vontade e a ganância são maiores do que a indisposição e hj foi um desses dias. Mal abro os olhos e a vontade bate. Me levanto, corro pro toilette faço a minha higiene matinal, visto minha roupa (aliás roupas, pois em Paris com 2°C, são calças e alguns casacos pra poder esquentar de verdade), um creme no rosto, um lápis rapido nos olhos e ruaaa... Não muito longe de casa (acredito que uns 30 metros), encontro o que tanto queria naquela hora, e é logico que eu iria saborear aquilo tudo sozinha. Algumas pessoas não aguentam nem 25cm, e eu, ahhh!, eu aguento os 50 inteirinhos, e com algo pra fazer entrar mais fácil, e com mais gosto, sabor mesmo. O cheiro então, aff, de manha ainda é sempre mais gostoso.

O dono é marroquino, casado, conheço bem sua esposa, a qual sempre me recebe de sorriso aberto e com uma gentileza encantadora. Em menos de 15 minutos, estou de volta à casa, depois de uma conversa rápida e entrando em comum acordo, eu e meus 50cm, subindo o mais rápido que posso as escadas, pra poder usufruir e fazer real o meu desejo. Pra confessar, dou umas pegadinhas e umas beliscadas antes de chegar em casa, pois ninguém é de ferro néh!!! 
Abro minha porta com rapidez e mais do que depressa vou direto pra cozinha, pois é là que gosto de fazer isso (e acho normal). Primeiro vai metade depois a outra até eu acabar com tudo. Não sei exatamente o que dizer em relaçao a isso tudo, mas na França é mais do que normal as pessoas gostarem do que eu amo de paixão. Não sou exagerada e muito menos gulosa, mas a excitação fala mais alto e caio de boca com muita vontade. Qd tem o leite é ainda mais saboroso, aii que delicia, dou até umas gemidinhas (baixinhas pra vizinha não ouvir). Aperto bem, e boca adentro lá se vai em alguns minutos minha tão amada e deliciosa baguete, ou pão bengala como se é conhecido no Brasil.. hahahahahahahahaha

Tenho certeza que mentes poluídas pensavam estar lendo um relato sobre pênis, sexo, sei là, mas pra felicidade ou infelicidade de alguns, é apenas um conto, baseados em acontecimentos reais do meu dia a dia, provando por A+B que travesti tb é cultura, não somente símbolo sexual e mostrando que pessoas precisam simplesmente entender que o mundo não gira em torno do sexo. Por um mundo onde a aceitação e respeito pelas pessoas Trans, seja mais real do que apenas palavras.

[autoria de Larissa Tamborindeguy, travesti escritora leitora da página, futura médica (Paris, 20/02/2015)]

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

NA HORA DE PÔR EU PONHO (I)

Pisei na rua era por volta das 20h, pouco movimento, ainda indecisa se valia o esforço. Pirocos por todo lado, quase que de travesti só eu, sábado de Carnaval bem isso. Tentava me convencer dq valia a pena, mas mal pisei na rua e quase de cara já voltei pra trás. Em menos de uma hora, fui mordida duas vezes no rosto por uma maricona baforenta asquerosa vestindo samba-canção (o mau hálito dela impregnou no meu rosto e só saiu qdo esfreguei álcool em gel, os olhos ardendo de raiva, a mordida doendo, a marca ali nítida), aqueles trocentos carros passando sem nem se dignarem a responder meus ois, meus olhares, euzinha me sentindo um lixo, e aí vem um lixo mesmo desses escrotões me perguntar se eu vendia pó, desgostoso por eu dizer que não faço a ativa e nem gozo e nem cheiro e nem trafico, "vou dar uma volta, qqr coisa eu volto"... vcs imaginam minha cara dps de uma hora aguentando, não? Pois é. Foi então que me apareceu um cliente, o primeiro, carrão 4x4 branco todo equipado nas parafernálias, omicis xis decerto cagando dinheiro, o mesmo quarentão pançudo peludo calvo barba por fazer que sempre me aparece cada vez com uma cara nova. A única pergunta que fez foi se eu beijava: beijo sim, ô se beijo, e beijo, viu? Gostou da resposta e já foi logo abrindo a portona, eu me acomodando, pra só então combinarmos o 30 no estacionamento. E lá fomos nós.

Antes mesmo de tirar a roupa, ele já veio beijando -- escovar os dentes pra quê, né? Todos os que quiseram minha boca até hoje não se preocuparam, eu tendo que fingir tudo normal (trago até um listerine portátil na bolsa por consideração, e eles nada). Barba me ralando toda, beijo até que minimamente bom, encaixadinho, o mau hálito se dissipando aos poucos no contato íntimo com a minha saliva. Ficamos ali um bom tempo, até que ele resolveu botar a neca em jogo, mas sem abrir mão do beijo, eu tendo que orquestrar movimentos do boca-a-boca com aqueles do mão-na-neca. Hora do oral, peguei de pronto a camisinha e, qdo fui tentei abrir ele, ele tirou da minha mão e "não, não, faz sem, é só oral". Perguntei se ele tinha noção dq estava querendo q eu me arriscasse a pegar uma doença por 30 reais. "Mas eu não tenho doença, vc é a primeira que eu saio... tou até achando que vc é mulher, viu? Vc é a primeira com quem saio, tenho doença, não". Piroco. O lixo tentou primeiro afagar meu ego dizendo que eu até pareço mulher (cis subentenda-se), oq além de ser uma cantada escrota serviria tb pra tentar me convencer a correr risco idiota... pra completar, ainda quis me levar a confiar nele dizendo que jamais saiu com travesti antes, como se fôssemos nós as transmissoras de doença e não esses lixos, como se já nascêssemos com doença e estivéssemos louquinhas pra passar pra frente! "Eu te chupo sem também". Meu bem, não vai rolar sem. Vcs me entendem?

Bom, sabem oq rolou? Ele, todo fortão no seu corpanzil gigantesco, agarrou minha cabeça e levou no muque até a neca, "pedindo" pra eu chupar um pouquinho só: "pô, na hora de pôr, eu ponho!" Vcs não sabem meu desespero. Se eu tivesse recebido antecipado (e não sei pq não o fiz), teria me desvencilhado e saído correndo... mas o medo de não fazer nem a diária naquela noite fria e pouco movimentada me levou a aguentar firme, me levou inclusive a mais doq isso, ceder: acabei deixando o lixo botar a neca na minha boca, uns segundinhos apenas mas deixei, enquanto em paralelo eu ia abrindo a camisinha. Me solto então da mão dele, paro imediatamente o oral, volto a beijá-lo e junto a isso vou tentando encaixar a camisinha, ele broxando só de chegar ela perto. Em neca crescente, com a ajuda da boca, até dá pra tentar, mas nas diminuentes não tem nem jeito. Volto então pra mão, mão em paralelo ao beijo, vendo se conseguia fazê-lo gozar, ish!, longe disso.

[cont.]

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

AQUELE LUGAR, QUALQUER LUGAR E O NADA [por Vitória N., post convidado]

"Último mês de contas, logo depois poderia fazer outro carnê para investir no produto; eu. Confesso: não sou de muita conversa. Telefone toca e se atendo de primeira é porque preciso de grana, falo o que faço, quanto cobro e mando não demorar para me buscar porque o tempo é precioso. O cretino disse que chegava logo, aproveitou para reclamar por não ter sido atendido na semana anterior, falei que estava ocupada; nem estava, deixei no silencioso e aqui ninguém me alcança. Só passei maquiagem, a roupa já estava pronta. Não demorou, logo estava acenando pra entrar logo no carro porque o local de encontro estava movimentado. Carro mal cuidado, celular com tela quebrada, roupa suja. Perguntou se podia me levar em qualquer lugar, respondi que podia.
Calma: achei que estava falando sobre o drive-in ou motel. No máximo, a casa dele. Entrou numa rua estranha, indo pro meio do mato em qualquer parada ali da estrada "pra onde está indo?" O cretino acelerou pro meio da estrada de terra e respondeu o óbvio "ali no canavial", mandei voltar, sou puta, não sou louca, quero grana, não quero um maluco me levando pro meio do nada. Não voltou. Falou que não tinha grana pra drive-in, aliás, não tinha nem os cem reais que pedi, mas estava ali, louco pra dar uma rapidinha. Olhei minha cara no retrovisor; aquele batom rosa na boca e uma calma até suspeita em mim. Quando você é puta, penso eu, já conta com dias ruins. Deu uma parada, jurou que me levaria embora mas queria dar uma olhada no "material". Aquela mão meio áspera, demasiadamente indesejada, veio pra dentro da minha roupa, pra dentro da minha calcinha. Queria ver, jurou, só ver. Eu não faço show, não pago pra ser vista, mas ali no meio do nada é inútil explicar como funciona. Mentiu novamente, botou a mão imunda. E eu, olhando a cara meio besta no retrovisor do carro, vou fazer o que? Língua de puta só tem poder entre quatro paredes. Não, eu não acho isso, mas eles sim. Ficou lá o quanto quis, até ser tomado por um pequeno arrependimento que o fez funcionar o carro e sair daquele lugar: "Olha, vou em casa procurar alguma grana, você espera aí no carro", quando chegou, fiquei uns minutos até me sentir realmente furiosa. Dei aquela última olhada no espelho, abri a porta e corri nas calçadas tortas, daquelas casas interioranas de portas sempre fechadas para as mini tragédias que ocorrem ao lado."

[Vitória N. é a mais nova colaboradora da página: mulher cis, prostituta, escritora]

domingo, 15 de fevereiro de 2015

MORDIDA DE ÓDIO

Vcs devem achar que eu exagero, só pode, mas, ai, bom, vamos lá. Dps da crise q tive em relação aos lixos, finalmente me permiti voltar à batalha... o resultado, como só poderia ter sido, foi catastrófico. Gosto de trabalhar à noite, nada de pôr a cara no sol, então pisei as passarelas era mais de 20h, aquela penumbra, friozinho, quase ninguém na rua, zona esvaziada por conta do Carnaval, da ameaça de chuva. Carros passavam por mim sem nem me olhar na cara, a maioria fingia que eu não existia, acelerava qdo eu fazia sinal. Não sei se é pior isso ou os que param só pra enrolar, pra encher a paciência, e ontem foi dia das duas coisas: mal qdo os lixos me ignoravam, pior, ou pelo menos igual, qdo se permitiam parar. Veio um ali elogiando eu ser carinhosa, mas que não gostou nadinha de eu não ser ativa e muito menos gozar (gente, os hormônios não deixam!), por fim perguntando se ao menos eu curtia pó, sabia onde arrumar -- justo eu, das mais caretas. O cara nojento, todo suado na motoquinha, "ah então vou dar uma volta e qqr coisa eu volto". A coisa devia ser igual táxi, vc tem que sair com a primeira que estiver lá, não interessa oq procura. A rua estimula um clima terrível de competição entre as que lá estão, todas achando que o cliente não parou pq a outra tem mais corpo, cabelo, é bunduda, tem peitão, prato cheio pra se sentirem necessitadas de retoques urgentes no silicone industrial, pra apressarem a colocação duma prótese, fazerem mil gastos no salão e clínicas de beleza, irem atrás de roupas, maquiagens. Ontem me recomendaram escova, roupinhas mais apropriadas, e cadê sua maquiagem, bixa? Mas se eu fizer isso, ó céus, qto mais não terei que ralar pra recuperar o investimento? Já tá duro fazer oq faço, imagina a pressão de ter que fazer ainda mais pra ter um lucrinho chinfrim que seja. Fora que não me animo nadinha de ficar lindonilda pros lixos e conas, tudo oq me anda surgindo lá na zona: se quiserem, vai ser assim, pronto falei. Cadê os ocós lindos que me tratavam a pão de ló lá no começo? Será que foi sorte, será que fui eu mesma não percebendo, na excitação da estreia, que eles eram escrotos iguais?

Ontem foi um desses dias doídos, literalmente. Um velho me parou no calhambeque dele, parecia de samba-canção, aqueles pelões cinzentos no braço, feiorrendo, asqueroso no trato. Queria completo, podia até ser os 40 no quarto, ficou ali me enrolando uma cara, até que esticou o braço, pegou minha cabeça e puxou na direção dele, como se quisesse me beijar... eu deixei, mesmo sentindo o bafinho dele gritar lá de longe. Pois é, parecia querer beijar, mas sabem oq ele me fez? Ele me deu uma mordida na bochecha, doída, deixou marca! "Gosta de mordida? Quero te morder toda!" "Mordida assim não, tem que ser de leve..." Eu queria era xingar o infeliz, meter um soco na cara dele, mas fingi q aquilo não tinha me ofendido profundamente. E novamente ele pegou minha cabeça e puxou, eu resistindo da maneira que dava, e lá vai ele tascar mais uma mordida escrota na minha bochecha, em outro ponto. Dessa vez ele percebeu que eu fiquei irritada, não deu mais pra esconder, aí ele disse q só ia ali estacionar o carro e voltar pra gente ir no quarto. Acelerou e lógico que não vi mais a cara do maldito.

Sabem oq é pior? Qdo contei pra uma amiga oq houve, ela me disse que é normal, que uma vez um deles mordeu o bumbum dela tão forte, e aí o silicone que ela tem lá doeu tanto que ela não conseguiu mais trabalhar aquele dia, aí outra vez um cara mordeu o queixo dela com tanta força, que ela tb teve que suspender as atividades... e por fim o caso de uma amiga nossa que teve a neca (!!!!) mordida por um lixo! Eu não sei oq faria, um soco bem dado na zoreia era o mínimo, pra deixar surdo o infeliz. Pois é, gente, tou precisada urgente dum serviço psicológico pra não fazer mais de pinico o ouvido de vcs.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

ÀS VEZES DÁ MERDA, Ô SE DÁ

Ainda não comprei a mangueirinha pra fazer xuca, essas simplonas de chuveiro, então acabo usando um desses kits de farmácia. Encho de água uma bolota de borracha, encaixo o caninho, coloco no edi (oq quase sempre dói) e aperto. Após fazê-lo três vezes, o suficiente pra invadir fundo o intestino, a água começa a pesar dentro... três vezes e já não aguento mais, corro pra expeli-la no vaso ou pode ocorrer lambança. Repito essa operação umas dez vezes, até ver a água sair clarinha como se não viesse de edi (a imundície enqto não chega esse ponto é brutal, o cheiro empesteia). Mas pra que fazer isso? Oras, pra não passar xeque no cliente, na camisinha, pra que ele possa nos cutucar, cutucar, cutucar com a neca lá fundo no nosso edi (término do sistema excretor) sem sentir cheirinho ou ver sujidade alguma qdo tire a neca pra fora, ou qdo acabe, e serve tb pra ele se sentir mais à vontade pra chupar nosso edi limpinho (vcs nem imaginam qtos não caem de boca pra cavucar e esfregar com a língua o furico)...

Nem sempre dá certo no entanto, seja pelo intestino funcionar sem pausa, seja pelo cidadão ficar lá horas futucando, estimulando as coisas a andarem mais rápido que o usual: o certo é que uma hora mesmo a xuca mais bem feitinha vence, ou melhor, é vencida. O curioso é que, entre as mariconas que a gente faz, várias passam xeque lindas e nem confiança, mas qdo acontece com a gente, aí é escândalo... p.ex. oq uma colega ouviu dum lixo que atendia há tempos, dps dum deslize bobo desses: "como vc é porca, assim não dá mais pra sair com vc!" Dps gente aí indignada vem me perguntar pq chamo os lixos de lixos, as mariconas de mariconas. Nenhum nunca pergunta se a travesti fez xuca antes de começar, tratam como se fosse nossa obrigação, dever moral, e dane-se se isso destrói nossa flora intestinal, se a longo prazo prejudica nosso sistema excretor, se gastamos uma hora no trono e litros de água tratada em tempos de seca.

Querem comer um ce-u como se ppk fosse, os mesmos que se irritam qdo ponho camisinha no oral: acham o cúmulo eu não querer correr risco de pegar uma DST por vinte reais, às vezes menos. E ainda que fosse por mais, o risco não valeria. Por isso me orgulho de ter passado xeque em todos que me comeram, pra se lembrarem bem do lixo q são: faço a xuca igual meu nariz, quero ver reclamarem!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

CARNAVAL: FANTASIA OU PRA VALER

Um ano exato atrás, e eis a data em que tudo começou, onde finalmente me encontrei Amara. Atiçada por amigos, me montei dominatrix toda caricata o primeiro dia, chicotinho peruca e salto, daí o segundo idem, o terceiro tb, o quarto e o quinto, continuando montada após o Carnaval pra desespero dos meus pais (agora mais feminina, mas sem ainda assumir nada, pq eu ainda tava no processo de descobrir). Dia Internacional da Mulher pouco depois, fui toda produzida no salto, saia e blusinha participar do ato, saindo dali direto pra festinha em família... pra minha surpresa, todos me trataram super bem ("é brincadeira, só pode! hahaha"), os primos risonhamente me chamando de Amara, me apresentando pros convidados como "a prima mais velha" -- hoje nenhum deles consegue me tratar igual aquele dia, travam pra me dar um simples beijo no rosto ao invés do habitual aperto de mão. Qdo não era "sério", tava valendo.

Meses atrás fui numa festa xis e pessoas me paravam o tempo todo pra perguntar se eu tava fantasiada (por estar usando roupas femininas, peruca, maquiagem)... só depois fui me dar conta dq aquela era uma festa a fantasia. Um homem então me agarrou no escuro, bêbado bêbado, o primeiro que me beijava dsd que me assumi, aí do nada ele me empurra e sai correndo, os amigos visivelmente enchendo a paciência dele no caminho: teria só percebido que eu era trans qdo começou a me beijar ou, pior, teria achado que eu era um homem fantasiado? Tive medo de apanhar enqto não me vi longe da festa.

Carnaval, data super risonha, pode ser paraíso pra muito homão angustiado com as amarras firmes do machismo, do sexismo, mas convém analisarmos tb os sentidos que ele projeta pras pessoas trans. Eis um espaço onde vão nos perguntar a todo momento se nossa identidade visual é fantasia (aí tudo bem) ou pra valer (aí melhor evitar, ou até dar um basta), lugar onde temos que tomar cuidado ao interagir com bêbados e com machões LGBTfóbicos que podem não se dar conta, dsd o princípio, dq somos trans / travestis (dps nos culpando pelo desejo que sentiram por nós), lugar onde vão nos assediar por graça, sem querer querendo, onde vão passar a mão nas nossas bundas o tempo todo ("é homem fantasiado, não dá nada, ele tá pedindo"), tratar nossos corpos como se fossem públicos...

Um ano atrás eu me encontrei nesse espaço e sou muito grata a ele por isso, mas hj tenho medo só de pensar que ele se aproxima. E isso diz muito a respeito de o qto homens cis purpurinando nas avenidas servem pra diminuir a violência aq nós trans e travestis estamos sujeites.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

AS HOMICES DOS OMICIS

Não sei se por estar trabalhando em texto (e com isso forçando uma racionalização) os programas que faço, ou se por a coisa ser violenta mesmo e eu só aos poucos estar me dando conta da situação, a questão é que cada vez mais, cada novo cliente que me aparece, a experiência da rua se torna mais parecida com uma experiência de abuso, assédio, estupro... se a camisinha arrebenta e o cliente tenta continuar assim mesmo (fico pensando até se ele não a arrebentou de propósito), se percebo ele tentando inclusive começar a transa sem camisinha, se o cliente força a barra para que eu faça coisas que não estavam no combinado, as histórias que ouço de cliente que tirou a camisinha sem a travesti perceber, ou que pôs uma arma na cabeça dela e a obrigou a dar sem camisinha, as violências verbais todas, as falas a respeito da esposa ("sou casado, então não dá pra vacilar"), tudo tem transformado radicalmente a experiência da prostituição pra mim.
Se no começo havia algo de prazer, dada a carência própria em que eu me via (carência que ainda está aqui firme e forte), agora oq mais sinto lá é dor... e aí quando volto pro meu outro mundinho, esse da universidade, das pessoas supostamente mais inteligentes, encontro as mesmas escrotices, só que feitas de maneira mais sutil, piadas com apologia e naturalização do estupro, homens desfilando orgulhosos suas amantes, se divertindo em considerar cada mulher que vê pela frente uma possível presa, silenciamento de mulheres ("se vc não sabe se comportar nesse mundo de homens inteligentes, então se cale e escute e aprenda"), o profundo foda-se que ligam para a situação particular que muitas delas enfrentam na universidade (o caso das mães solteiras, p.ex.). Tá difícil lidar com tudo isso sem estabelecer uma ligação muito direta entre oq é ser homem cis e oq é violentar (por mais que eu concorde com oq disse uma amiga, q estabelecer essa conexão acaba por apagar as violências que mulheres sofrem nas mãos de outras mulheres, nas mãos de homens trans, etc)... talvez até por isso estou fazendo o meu melhor pra transformar radicalmente a pessoa que sou, pois o homem que fui tb era escroto e nem ao menos ele/eu se deu conta disso em vida e nem ao menos ele/eu se importou em querer se dar conta disso em vida.
Rir mesmo, só dá imaginando o conto-bomba que tá preparando a Geisa Maranhão, amiga travesti lá do Itatinga: "Uma maricona pra chamar de minha". Esse promete, esse vai certeza pro livro de histórias do bairro (eu mesma acho que ainda roubo a ideia pra contar um relato, se ela demorar muito! rsrsrs).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

AMARA MOIRA E AS TRAVESTI RADFEM

- Tou mal, perturbada... melhor ir embora hj sem nem trabalhar. Se encontro uma maricona é capaz que eu esgane.
- Pois então esgana, mona, e ainda cobra quinhentos. 'E não vai gozar!'

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

HJ EU NÃO PASSEI XEQUE

Cefaléia, coriza, externutação, friiiio, saco nenhum pra aguentar os lixos... o dia era pra não sair de casa, oq foi q eu fiz? Xuca, e dessas dolorosonas pra valer, quarenta minutos de dores abdominais tanta foi a água que enfiei no edi... mas nunca me senti tão intestinamente limpa! E daí fui até mais feliz pra rua, leve, hoje não teria xeque certeza, imaginando a riqueza a caminho, e lá a esperei, mudei de lugar ainda à espera, troquei de lado, passei mais batom, arrumei a roupa, não vinha um único maldito cliente. Unzinho enfim chegou querendo completo no estacionamento por vinte, coisa que semana passada eu até fiz, mas que dessa vez eu não tava assim tão disposta depois dessa xuca trabalhada (dar pra mim é questão espinhuda: se a neca é odara, o estrago é também... e aí posso encerrar as atividades noturnas por vinte reais, entende?). Ele prometeu a história de sempre ir buscar cincão cos amigos vcs sabem oq deu. Devia ter aceitado esses vinte, porque em seguida me surge o infeliz que na semana passada tinha me pagado os mesmos vinte pelo completo no estacionamento: ele me ligou a semana inteira, marcou comigo, disse que viria, e oq foi que ele fez? Foi, mas com nove reais no bolso... miguelou até as moedas que tavam perdidas no carro. Chegou lá na caruda, dá cá um beijinho, saudades, vamos se curtir, tem só um problema. O papo piroco de sempre, eu fula da vida, ah não pô. "Mas não dá nem uma punhetinha com esses nove?" Vá lá, acabar logo e partir pra outra, chegar o quanto antes aos trinta da rua sem subutilizar o meu edi recém-bem-xucado.

Estacionamento lá vamos nós, eu amaciando ele a caminho, chegamos, ele começa a pedir coisa que não tem cabimento, beijinho aqui, aí 'fica pelada?', 'deixa eu segurar?', 'molha a cabecinha com a língua?', 'só uma chupadinha, vai?, tou quase'... eu me irritando, ele dizendo não fica assim, o lixo ainda quis sair do carro pra gente acabar lá fora o pegê. Sério, era pra ter durado dez minutos pelo que ele me pagou, dez sendo generosa, mas foi pelo menos trinta de enrolação. Tentei apressar, cada vez mais com nojo desses idiotas que me aparecem, até que senti o jorro quente escorrer pelos meus dedos no meio da escuridão do estacionamento (nós dois quase encostados no capô, o carro andando se a gente fazia pressão porque o freio de mão meio que "não tava firmeza"). Jurei que jamais atenderia de novo esse imbecil por menos de 30 reais... e não é pelo valor, é pelo desgaste de ter que aguentar ele abusando de mim, me chamando de vagabunda, perguntando pra quantos eu dei aquele dia, ele me tratando mal pra burro, me dando tapas e aí querendo chupar meu bilau, meu ce-u, tentando me beijar em seguida, eu fugindo da boca dele igual diabo da cruz... qq ele acha q eu sou? Mas acabou, faturei os nove e dali em diante enfrentei foi é horas de desolamento -- azamiga toda fazendo horrores de cliente e vc se sentindo um lixo pq os únicos que paravam pediam de graça ou, como fez um engraçadinho, perguntavam se vc pagava pra ele sair com vc. Pq não cuspi, me pergunto até agora.

Eu só queria voltar não devendo, entendem?, e o qto antes. Então insisti... faltava só vinte e um, e com mais vinte eu já me dava por satisfeita. Esperei, esperei, esperei, até que veio o salvador, aquele que me permitiu ir dormir sossegada (eles sempre aparecem, só ter fé). Veio perguntando oqq eu era, eu disse "travesti", ele então perguntou "mas bem feminina?" e eu "super", assim mesmo, o diálogo foi bem esse. Combinamos valores de forma meio caótica, nos pusemos então a caminho sem eu nem saber ao certo se seria vinte ou trinte -- não tava claro oq ele esperava de mim até que me deu os trinta assim que chegamos, "o completo". Necona dele já dura assim que parou o carro, ele tirando a roupa pra não se sujar, eu levando a boca até onde ela trabalharia e ele então, coisa inédita, me impedindo com os braços de alcançá-la e "opa lá calminha e a camisinha?" Foi uma experiência que me fez repensar oq venho fazendo ali, toda a educação transfeminista que eu poderia estar impondo a esses lixos, os riscos que venho correndo às vezes... eu achava que não sairiam comigo se eu pusesse camisinha já no oral, oral justo a coisa que mais gosto então tava tudo bem, aí descubro esse aí que exige a bendita pra começar o brinquedo (e isso tudo uns dias depois deu levar pito da vó, a sabedoria em pessoa ali daquelas bandas, por estar me arriscando dessa forma -- "hiv é mais difícil no oral, mas sífilis é batata, viu?" ela me puxando as orelhas). Pusemos o guanto, lá vou eu então começar do começo, ele massageando toscamento a minha pirulita, achando que aquilo me daria tesão, perguntando se não ficava dura... "olha, meu bem, não é assim, às vezes fica, mas pra ficar tenho que eu ficar com tesão, entende?, oq não tá tendo". Usei palavras mais amenas que essas, óbvio que ele não catou. Aí começou a reclamar que eu não teria como comer ele daquele jeito (ainda bem!), eu estranhando aquela neca gigante e ele não querendo minha boca nem mão nem nada, querendo só é que a minha ficasse dura pra ele cair de quatro pra ela! Não dava oq ele queria, me pede então pra eu dedilhar o edi dele...eu, com nojinho pego outro guanto, o segundo da noite, ponho, começo a brincar lá, ele pede pra eu enfiar, entra até sem gel, facinho dois dedos duma só vez, ele se masturbando enquanto isso, até que dois palito goza. Dps disso o de sempre: mal olha na minha cara, não me dirige mais palavra alguma, eu saio meio correndo do carro pra não ter que lidar com o embaraço dele, feliz da vida que pelo menos com dois reais, na somatória total (os trinta da rua, os sete do ônibus ida e volta), eu voltaria pra casa.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

GRIZELDA PERPLEXA

"Tava eu lá na rua, tentando ganhar o meu dinheiro, de repente avistei um cliente... vi ele de longe e já reconheci que era ele, o carro inconfundível. Fiquei feliz, porque já imaginei que era um vinte que eu iria ganhar, né, um oral. Aí ele veio, olhou pros lados, não olhou pro lado que eu estava da rua, eu com raiva imaginando que ele não iria me ver ou que estava fingindo não me ver. Aí de repente ele deu uma olhadinha, me viu, parou lá na frente, eu fui. Como sempre veio perguntando quanto era a chupeta, e ele já sabia, eu sempre cobro vinte. 'E aonde que a gente vai?' Também já sabia o lugar, mesmo assim perguntou. 'No estacionamento', lógico. Fomos, comecei a chupar ele. Aliás, pus a camisinha antes, pinto mole, assim mesmo eu pus, com a boca senão não tem como, e aí comecei a chupar. Começou a ficar meio duro, meio mole, ele é bem assim, nunca fica duro total, mas goza igualzinho, meio cá, meio lá. Pediu pra mim baixar o short como sempre, baixei, aí ele desceu os bancos do carro e pediu pra eu deitar meio em cima dele, tipo um meia nove, ele sempre pede isso. Tipo um meia nova, mas ele não faz oral em mim, só quer que eu fique deitada dessa forma pra ele, mas fica tocando com as mãos. Eu lá odiando chupar, pq eu odeio fazer oral nele, mas enfim é um cliente já antigo, então eu faço, e até gosto dele como pessoa, me respeita, me trata bem, às vezes dá até mais doq eu peço, cinco mais, dois mais, até dez mais. Aí, de repente, já fazia uns minutos que eu tava chupando, agoniada pra que ele gozasse (sempre fico assim porque não é legal, não gosto de fazer oral nele), de repente ...... um barulho: lá vem ele me solta um pum! Os vidros do carro fechados, nossa, eu fiquei perplexa, revoltada, que coragem ele fazer isso! 'Nossa, vc soltou um pum, pq vc fez isso?' E ele simplesmente 'desculpa, desculpa, desculpa', era só oq sabia dizer, 'desculpa'. Eu 'tá, mas pq vc fez isso, não tá vendo que eu tou aqui te chupando?, que falta de educação'. O cheiro insuportável, sabe lá deus qq ele tinha comido, nem sei se de propósito ou se sem querer... acho que não foi por querer não, pq ele pediu mtas desculpas. Abri a porta do carro, não adiantou baixar os vidros -- aquele odor insuportável não saía. 'Não dá pra continuar mais'. Ele entendeu, né?, ele veio, me deu os vinte, olhou um pouco mais a carteira, achou mais cinco, me deu os cinco (tinha mais na carteira, ele só me deu mesmo os cinco), tipo assim querendo como se fosse mais um pedido de desculpas. Não adiantou. Fiquei muito enojada, e ele não parava com a pedição de desculpas. Saí do estacionamento dentro do carro ainda, aí ele me deixou no ponto onde eu ficava, 'desculpa, Fernanda' (eu falo pra ele que chamo Fernanda), 'isso não vai mais acontecer, tá?, vc ainda vai querer sair comigo, fazer oral comigo?' E eu falei que vou sim, q isso vai passar. Aí ele 'a gente não devia ter ficado ali, devia ter ido pro drive', e eu devolvi 'mas quem ia adivinhar uma coisa dessas?' Veio me dar um beijo de despedida no rosto mas, ai, eu virei o rosto... tava com muito nojo dele. Saí do carro e foi isso oq foi q houve."