sábado, 31 de janeiro de 2015

OS LIXOS SE SUPERAM

Motos e carros pra lá e pra cá, alguns devagarinho, te secando de cima a baixo e não param, outros nem confiança aceleram fingindo nem te ver... não sei oq é pior, talvez os que se dizem sem aqüé e ainda assim querem tirar casquinha (quando não o cascão mesmo). Decidido: o prêmio vai pra esse lixo que teve a coragem de perguntar se eu pagaria pra ele sair comigo.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

BIOGRAFIA A CAMINHO

Não é novidade surgirem msgs inbox de gente me confidenciando fazer / ter feito programa, homens, mulheres e travestis, gente que me diz que a desenvoltura com que eu trabalho a questão faz com que elas próprias aprendam a assumir outro tipo de relação com seu passado-presente, uma relação mais saudável, libertadora, "quer saber e se a gente pudesse rir disso tudo, sorrir contando essas porcarias?" A maioria se viu forçada a isso, forçada por apertos econômicos ou qqr outro tipo de dificuldade, e nessas condições teve que fazer de si personagem e desempenhar o papel a contento, hj se tornando reféns dessas suas vivências tabu (perda de emprego, exclusão social, etc). Tenho feito inclusive um esforço de levar minhas amigas de profissão a sentirem vontade, tesão mesmo, em botar suas vivências no papel, por eu acreditar que isso tem um potencial empoderador incrível (euzinha aqui já fui refém das coisas que andei aprontando desde que me entendo por gente, coisa que só mudou qdo eu falei chega e pus tudo pra fora, foda-se oq vão pensar).

Pois chega a hora do revide, o momento em que a pessoa, cansada de aceitar essa posição de eterna vítima, decide vomitar de volta td oq a sociedade lhe causou, decide pôr no papel essas histórias todas e fazê-las, essas histórias, de espelho pra sociedade poder dar uma boa olhadela em si, na sua podridão. É isso oq me apareceu agora, a proposta de eu e um de meus leitores escrevermos juntos uma biografia das coisas que ele viveu / teve que viver: garoto de programa por anos atendendo todo tipo de lixo, ator pornô vencedor de prêmios contracenando por questões financeiras inclusive com trans e travestis (mesmo ele sendo gay), criado em abrigo até os dezoito, a prostituição sendo o caminho que ele encontrou pra se firmar na vida -- anonimato, essencial pra evitar que mais discriminação pese no seu dia-a-dia. Sentem o drama, sentem o cheiro de raiva, de história virulenta pra sociedadezinha nossa arrancar os cabelos? Bom, negociações avançadas a respeito do projeto, primeira entrevista já marcada, vcs não perdem por esperar...

AMOSTRA GRÁTIS

Motoqueiro chega, babando de tesão quase, eu lá carinhosa acarinhando por cima da calça jeans oq houvesse ali, oral vinte no matelzim, os olhinhos dele brilhando nunca vi igual, eu indo a pé pro local combinado, ele de moto. É então que ele me chama de volta ainda a caminho e me lança o famoso "faz por quinze?" Momento que vc fica a ponto de mandar o infeliz à mrrrda, mas me achego a ele, carinhoseando um tico mais, "certeza que não dá por vinte? Assim vc desmerece o meu trabalho"... nessa hora sinto a calça jeans dele molhar, ensopar, eu atônita sem entender oq tava acontecendo, muito molhada mesmo, e ele encabulado de repente acelera a moto com tudo, eu comendo poeira. O lixo gozou com a amostra grátis e ficou por isso. Dps perguntam pq q eu uso esses termos bonitos pra me referir a eles...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

EU ATIVA, TOMANDO GOSTO

Coisa incrível oq a prostituição tem feito por mim, tem feito comigo: corpos que eu jamais me permitiria conhecer em outras situações, de repente lá estão eles na minha frente, nus, atritando-se no meu e eu sentindo o maior prazer. Não é preciso esforço algum da minha parte, só me jogar e o prazer já vem surgindo, um baita ataque ao adestramento que recebi para me interessar somente por corpos dentro do padrão midiático de beleza (lógico que é preciso colaboração dos clientes, me tratarem bem, amorzinhos).

Eu já mais de três horas vivendo o frio das ruas, querendo só o básico pra poder ir dormir, chega o carrão, baixa o vidro, quanto é, quarenta no quarto, pode entrar. Do jeito que eu gosto, sem barganhar, sem fazer pouco caso do meu serviço. Quarto ocupado, que tal o drive-in? Lá vamos nós, primeira vez que me arrisco para fora da área de preservação travesti -- o nosso reduto no Itatinga, lugar onde, se uma gritar por ajuda, todas vão pra cima. Trinta reais o drive-in três horas, cama e banheiro, achei que ele iria chiar, nada! Entramos, eu já assada por conta do cliente que atendi horas antes, receosa doq encontraria: não houve qqr combinação, qq a gente faria na cama? "Como vc é linda!" Ai, me desmontei... pulei já nos braços dele, outro pançudinho peludo, tiquito afeminado, barba roçando meu rosto, hálito de quem andou bebendo. Beijos, beijos, beijos, nem dá pra contar quantos demos ali rolando na cama, quase eu achando que o programa seria isso -- eu perguntava se ele queria que eu o chupasse, ele me calava com um beijo, era esse nível! Mas os dois peladinhos ali, ouriçados da neca ao último fio de cabelo, eu nada boba percebia ele rondando o meu edi, cutucando como quem não quer nada.

Uma hora levantei da cama pra tentar fazer um oral nele (senão ia ser a noite toda aquela lengalenga, gostosa sim só que ele não é namorado), mas foi só minha neca passar perto da boca dele, durinha como estava, que ele abocanhou e nem confiança. Foi uma experiência esquisita... prazeroso ser tocada daquela maneira, négo não, carinho e desejo à flor da pele. "Você é linda", disse ele bocona cheia, babando em mim, eu derretendo ao sabor dos elogios. Logo foi a minha vez de atacar, ataquei longamente, aí mais um poquim, até que ele em seguida encaixou um meia-nove (taí coisa impensável pra mim um ano atrás e agora normal). Tava tão excitada que minha neca doía, pq já fazia tempo que a gente tava nessa esfregação e os hormônios têm deixado ela meio sensível (imagina estrogênio junto com bloqueador de testosterona, pra onde que a bixana corre?!).
Voltamos pros beijos e dessa vez, em vez dele futucar, quis ser futucado, tentando encaixar sem querer minha neca nele e eu de olho pro fato dele resistindo a pôr guanto, o preservativo. Uma hora parei tudo e "hora de encapar a criança... a sua ou a minha?" A minha, e "vc é linda!", eu toda corado. Pois bem, guanto é batata, pôs e já cai o meu tesão, até por conta dos hormônios, mas ainda dava pra brincar igual e lá fui eu fisgar umas lombrigas. O tesão dele não diminuía por nada e era todo apertadinho, deu trabalho pra criança entrar e eu fiquei lá um bom tempo, meu tesão paulatinamente diminuindo, até que não havia mais oq fazer... E ele todo amorzinho, sem reclamar nem nada, só se preparou pra vez dele atacar, ele que não desendurecia, eu que já tava toda assada, penei, penei feio até ele encontrar alívio, até a cláudia gritar gostoso!

Foi qdo ele mudou. Aí já não tinha abraço, carinho, oq quer que seja. Se arrumou num pulo, eu tb, pegou o bloco de notas rechonchudas e ao invés dos quarenta combinados (que me dariam trinta, pois dez era do quarto), ele me deu setenta fora os trinta do drive-in. Mas toda intimidade morreu, nem mais reconhecia a pessoa. Me deixou na minha rua, bitoquinha de tchau, até mais ver...

domingo, 25 de janeiro de 2015

VCS ME CONHECEM SUPER, NÃO?

Não gosto da ideia de voltar negativa, tirar do bolso o pra trabalhar. Conta disso, dá uma certa hora e eu começo o desespero, começo a pensar só em fazer e zarpar. Era já nove quando fui pra rua (escuridão, só assim me sinto à vontade, mas tb tava chovendo antes), planos de parar por volta das onze (até parece) e conseguir voltar pra casa... nada disso. Nove nada, deu dez e coisa nenhuma, dez e meia niente niente, ai será que será hj a primeira?, frio pós-chuva começando a arrepiar, me surge então um ocó. Trinta no estacionamento, subi no carro, tudo certinho, quando ele me vem com o "não faz por vinte?" Vcs meio que já me conhecem, né, melhor vinte no meu que no teu, medo de perder o pouco que me apareceu, então sabem bem oq eu respondi, mas deixa eu voltar uns trechinhos do diálogo antes de subir no carro, super peculiares.

-- Vc faz oq, gata?
-- Oq tiver que ser, mas ativa nem sempre eu consigo.
-- Ativo aqui sou eu, isso deixa comigo. E beija gostoso?
-- Ó, eu faço assim, ó.
-- Tzão. E já deu hj, vagaba?
-- Primeiro cliente é vc, e só trabalho de quando em quando... bem apertadinha, pra vc toda.
-- Mentirosa! Deve ter dado um monte. E se eu quiser chupar o seu ce-u?
-- Vai passar a noite se deliciando.

Disse assim mesmo, na lata, sem grilos nenhuns. Já no estacionamento, dindim antecipado, beijos, beijos, mão na minha neca por cima da calcinha, a coisa toda bem sexualizada mas algum grau de carinho, eu gostando confesso. Aí ele afasta o banco do motorista pra trás, baixa o zíper, e eu mando ver, ele elogiando super minha desenvoltura. Antes de entrar no carro, eu lá na barganha dei uma apertadinha marota na mala dele pra sentir o tamanho da encrenca, ele disse "é pequena", parecia msm pequena, eu ufa. Ai como a gente se engana bonito nessa vida: o delta-T da neca foi monstruoso e eu vendo a coisa crescer na minha boca já comecei a me apavorar. "Gosta de apanhar na cara, vatia?" Só de leve, carinho, eu disse, e ele já veio a mãozona. Gostei não, e ele repetiu isso algumas vezes ao longo do programa (tem hora, inclusive, q morro de vontade de agradecer as radfems pelo termo "piroco", que eu uso a rodo lá no Itatinga mas só com as pessoas certas -- ai que vontade de gritar presse aí!).

Saímos do carro, agora era o matel, ele querendo festa na porta de trás, festa nenhuma aos olhos dessa apertada que ora vos escreve. Ai, como doeu, vcs nem imaginam! Ele me colocou frango-assado no capô, foi lá brincar com a lingueta no edi recém-xucado, eu fazendo todos os esforços musculares possíveis praquele capô não virar escorregador de parquinho, ele não entendendo o drama, achando frescura, eu não conseguindo evitar a sensação dq a qqr momento bumbum se estatelaria no chão. Ah não, assim não dá, e olha que nem tou falando do empalamento que viria: falei pra ele que chega, vamo no tradicional de quatro que já tá mto é bom. E foi, bom não. Doía, ele me estapeava as bochechas de trás, doía, e era oq tinha pra hj. Levou horrores pra entrar. Lógico que qqr sinal de tzão que eu tivesse sentindo, ali já era, mas segui focando em não atrapalhar pra coisa acabar o qto antes. Nem senti qdo ele acabou, sério mesmo, tão anestesiada q estava. Ele doido comigo, fazendo questão de pegar meu telefone, dá uma bitoquinha, mas "tudo sigilo... esposa... não dá pra vacilar". E hoje acreditam q o ocó já me ligou umas duas vezes, já querendo combinar a próxima!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

SÓ AS ORIGINAIS

Dia desses fui pro chat uol divulgar a página. "Travesti Escritora" de nick, a mesma ladainha pra todo mundo que me importunava perguntando escritora de quê: adoro um programinha sapeca e depois escrever um relato no blog contando tudinho (e lá vai trecho escolhido a dedo, mais link, o povo babando!). Era pra ser divulgação, mas alguns acho que começaram a empolgar e saíram os primeiros 'telefone?, tem foto?, qtos cm?, faz oq?', a porcariada que todas conhecemos bem. Alguns queriam que eu começasse ali mesmo o relato, talvez pra se acabarem sozinhos e eu ficar na mão (ou o contrário talvez): pra esses eu só dizia que era boa com as palavras mas incapaz de imaginar oqquerqfosse -- só vivendo pra saber, amor, vamovamo? Nada. Era uma experiência nova essa, atrair clientela através da promessa do conto, já que os q eu costumo atender nem imaginam as histórias correndo a internet.

O mais interessante foi um que surgiu dizendo que me daria R$160,00 pra gente fazer gostoso, sem grilos, e dps eu dar uma surra de havaianas nele... 'olha, a surra eu dou até de graça [imagina a graça, marmanjo levando chinelada imóvel e ai se der um pio!], maaaaas eu só tenho ipanema'. Ele pediu foto, eu mandei, ele se mandou. Mrrrrda, e eu achando que chinela era tudo igual!

sábado, 17 de janeiro de 2015

VIAJADA, POLIGLOTA, VIVIDA, ESSA É GEISA MARANHÃO


AMARA: Meu nome é Amara Moira, moderadora da página "E Se Eu Fosse Puta – Amara da Depressão", e estou aqui hoje para entrevistar uma convidada especialíssima, uma convidada babadeira, uma convidada bafônica, Geisa Maranhão, diretamente do Itatinga, diretamente do Maranhão. Palavras inaugurais de quem é você... quem é você, quem é Geisa Maranhão?

GEISA: Meu nome é Geisa Maranhão, sim eu vim do Maranhão, já estou aqui em Campinas há alguns anos, treze, catorze anos... [AMARA: Uma campineira!] já quase uma campineira, e eu gosto de Campinas, gosto do Maranhão tb, mas gosto muito mais de Campinas.

AMARA: Bom, uma coisa que eu vejo na história de muitas travestis que conheço é que elas em geral já tem toda uma experiência sexual que vem desde a adolescência, várias experiências, em geral como passivas, com ocós maravilhosos, e aí de repente elas entram pro mundo da prostituição imaginando que vão encontrar um boy-magia e... o que acontece, como é essa relação entre o que era antes e o que é depois? E como foi se tornar uma travesti pra você?

GEISA: Ser travesti já era algo que eu queria. Eu acredito na verdade que eu já nasci travesti, eu não me tornei travesti, já nasci assim, e sou muito feliz de ser quem eu sou, de viver como eu vivo. Em relação à prostituição, antes de trabalhar fazendo programas, eu tinha sim relações sexuais com pessoas que eu gostava e, sim, eu era sempre passiva, eu era sempre a passiva. Com a prostituição isso já mudou um pouco, eu tive que me tornar ativa, mesmo imaginando que isso não seria possível... eu me tornei uma pessoa ativa por conta do trabalho mesmo, porque você imagina que vai ser sempre passiva, sempre uma garotinha dos homens, o que não é verdade.

AMARA: Sua primeira vez, como foi?

GEISA: Minha primeira vez, no programa, foi terrível. Eu não sabia o que fazer, eu imaginava que eu seria passiva, que eu taria ali pra fazer um sexo normal como homem e mulher fazem, e o que aconteceu foi que o cliente começou a me tocar em partes que eu ainda não tinha sido tocada nesse intuito, de sexo, e foi algo muito estranho pra mim. Comecei a gritar com o cliente, falar pra ele que ele estava ficando louco, como ele era capaz de me tratar daquela maneira, que aquilo tava errado e que eu não queria aquilo, que acabasse o programa ali mesmo. E foi o que aconteceu. Acabou o programa, não consegui fazer e fiquei me martirizando alguns dias, será que eu vou ter que fazer o que eles querem? Até que as amigas me convenceram de que eu teria que ser ativa, que eu teria que usar esse lado pra trabalhar.

AMARA: Uma coisa que eu também ouço muito é que, na prostituição, às vezes é até melhor ser ativa porque o programa acaba mais rápido.

GEISA: Ah, eu gosto, prefiro, ser ativa no programa do que passiva, porque sendo ativa o prazer vem mais rápido pro cliente e já logo termino o que temos que fazer, já me pagam, vão embora. E assim já tenho mais tempo livre pra pegar outro cliente.

AMARA: E, ããã, pergunta óbvia, né?, dá pra sentir prazer com cliente? Como é que dá pra sentir prazer?

GEISA: Sim, sim. Dependendo do cliente, isso varia de cliente pra cliente, se um cliente, ai, boy-magia, escândalo, aquele bofe, que te trata, que vem no momento certo, você tá estressada, você tá louca, e vem com toda a calmaria do mundo te acalmar, te acariciar, te fazer sentir sensações... você acaba sentindo prazer sim, um prazer muito grande.

AMARA: E uma pergunta também que sempre aparece, ouço bastante, recebo bastante inbox lá na minha página, é aí, se aparece uma neca gigantesca, que é que você faz? Eu que sou a inexperiente, eu dou pra trás, não dá pra mim não... como é isso pra você?

GEISA: Eu me sinto desafiada, eu sinto que pra mim é um desafio. Até hoje não corri da raia. Cada vez que eu vejo uma neca enorme eu fico meio na dúvida, será que vou conseguir, será que não vou conseguir? Mas não fico é sem tentar. Sempre que apareceu eu dei conta do recado, nunca fugi da raia, meu amor. Adoro uma neca odara, gosto bastante, até prefiro. [AMARA: Dói o maxilar, dói tudo]. Quando eu vejo que dói o meu maxilar já no início da relação, na chupeta, eu me sinto desafiada, eu sei que vai ser um pouco complicado. Mas nada que um carinho aqui, um carinho ali, um gel: com cuspe e jeito, entra em qualquer sujeito.

AMARA: Essa frase é muito boa! A outra pergunta que sempre surge e que eu tenho que fazer pra você é dá pra ficar rica como prostituta, como é que é isso?

GEISA: Ficar rica ficar rica, acredito que não dê, rica milionária. Isso depende de cada pessoa, como ela administra o seu dinheiro. Mas dá, sim, pra se viver bem, bem mesmo. [AMARA: Vejo muitas bancando família]. Sim, é um dinheiro que, se utilizado de boa maneira, ela é bem aceito em algumas famílias. É o que acontece no geral com a gente, travesti, que trabalha na rua, com prostituição a maioria das vezes: por mais de horrível que tenha acontecido com a gente durante a moradia com a família, é o que nos salva esse prazer de poder ajudar eles, mantê-los. E eu acho que é um pouco, é uma forma de você se dar à sua família, mesmo depois de tudo o que você passou ali. Acho que é um trabalho gratificante pra gente, poder ajudar. E trabalhando na prostituição dá, sim, pra ajudar bastante, bem mais do que imagina.

AMARA:  Bom, pergunta final que eu tenho pra você, Geisa, é: você viveu muitos anos em Campinas, mas você não viveu só em Campinas, você é vivida no mundo, você é uma pessoa que rodou o mundo... e aí, faz uma comparação pra gente entre Campinas e o Boir de Bologne em Paris?

GEISA: Só assim, pra começar, quando eu saí do Maranhão pra vir pra Campinas, com o desejo de me tornar travesti, de ser quem eu sou hoje, eu achava que já seria um grande passo ter saído do Maranhão e ter chegado em Campinas. Só que Campinas me abriu as portas pro mundo, eu consegui atravessar o oceano, fui até Portugal, Espanha, até chegar em Paris, onde eu me senti mais à vontade pra ficar, pra morar, pra trabalhar. E Paris foi uma grande escola pra mim, tive muito aprendizado lá. E em comparação, Paris com Campinas, eu posso comparar Paris com o Brasil, porque é completamente diferente: as pessoas te tratam bem, as pessoas não te vêem como um objeto, como algo estranho, lá todo mundo é igual, as pessoas te cumprimentam, como ser humano. E em forma de trabalho, também é bem melhor pra se trabalhar, os homens são mais cultos, mais educados – não que os brasileiros não sejam educados, mas eles tratam a gente de maneira diferente lá. Claro que também tem os passivos, como em qualquer outro lugar do mundo. E o Boir de Bologne é como se fosse uma zona a céu aberto, a diferença é que você tem algumas privações tendo que trabalhar no Boir de Bologne, especialmente se você é imigrante ilegal. Não é como se trabalha no Brasil, que você pode fazer o que você quer, mas o Boir de Bologne, eu não sei agora, mas já foi uma mina de dinheiro, onde várias ficaram ricas... [AMARA: Lá dá pra ficar rica?] Lá sim, pelo menos deu pra alguém aí ficar rica. Mas a França é sim um lugar maravilhoso, não me arrependo nem um pouco de ter deixado o Brasil, de ter ido explorar outros países, eu aprendi muito com essa ida.

AMARA: Essa foi a entrevista com Geisa Maranhão, essa entrevistada poliglota, fala francês, fala espanhol, fala português, fala italiano, fala o que for necessário, viajada, vivida, pessoa incrível, militante... gostaria de fazer suas considerações finais?


GEISA: Tá. Na militância, digamos que eu estou começando a me envolver mais profundamente agora. Esse ano pretendo me lançar, me jogar mesmo, em tudo o que eu puder fazer, eu vou fazer, eu vou contribuir, pra que as pessoas possam ver que nós, travestis e transexuais, somos gente como todos os outros seres humanos da face da Terra. Eu espero alcançar poder fazer o máximo de coisas possíveis pra que as pessoas possam ver isso, né?, que a gente é gente. Ah, e outra coisa, eu Geisa Maranhão não sou travesti, não sou transexual, não sou trans nada, eu sou gente, ser humano, sou eu, Geisa Maranhão. [AMARA: Em primeiro lugar!]. Em primeiro lugar e em último lugar também, eu sou Geisa. Muito obrigada. Beijinho a todas.





quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

JUSTO EU, TÃO PUDICA!?

Mês atrás, Marcha da Cidadania de Travestis e Transexuais em SP capital, rostolivro recebe denúncia de nudez afrontosa na foto abaixo, avalia a denúncia e a julga improcedente: não havia nudez ali (desgracildos, ai que raiva!) -- peitinho de hormônio não conta, apesar de todo o rebuliço que gerou nas redes sociais. Hoje, no entanto, pela primeira vez um post da Amara da Depressão foi denunciado por nudez afrontosa e, pasmem!, agora o livrorrosto julgou que procedia a denúncia e, resultado, post removido e altos transtornos pra eu conseguir acessar meu perfil. Mas vcs me conhecem, né, sabem que não vai ficar assim. Se tem uma coisa pra que a censura, essa mais toscona, serve é pra atiçar a busca por novos ardis, novas ardilosidades, novas formas afrontosas de se encaixar direitinho nas normativas dessa bucilda de saite. Aguarde, gente, vou reformular o conto tintim por tintim e a partir dagora a coisa vai começar a ficar cada vez mais escrachuda: enqto reinar esse tabu em relação ao sexo, pagarão todas nós que vivemos de sexo. Desestigmar nossos corpos, o trabalho que nos acolhe de braços e pernas abertos, o lugar a que nos relegam, são esses os primeiros passos para fazer com que tenhamos o pleno direito de existir nessa sociedade de mrrrda!




terça-feira, 13 de janeiro de 2015

MARICONA A PRIMEIRA, SABE COMO É (II)

Quarto novo, outro do deizão, primeira coisa que fez foi tomar um banho: agora havia chuveiro sim e, mais doq isso, sabonete. Fico eu lá na porta admirando meu peludinho pançudo, olhando ele se lavar, ele me chama, eu entro meio no truque sem molhar os cabelos (não tinha toalha direito nem pra ele, qto mais pra mim), ficamos lá namorandinhos até que eu xip! cabô! pará essa gastação dágua! Ele perguntou se devia fazer o dois, eu disse parece que devia sim (esqueci de contar que, lá na futucação, achando que eu ia encontrar tudo oco, nada de oco encontrei por lá -- por isso o medo tremendo das unhas furarem o guanto): força ele faz, faz ele o dois, volta pro chuveiro dps pra reterminar a limpeza, eu já deitadinha na cama secando ao ventilador. Antes de entrar no quarto, ele já tinha de boa vontade oferecido cinquenta, aí "ah não, pode ser cem" e, por fim, "quer saber? melhor cento e cinquenta" sem eu sequer falar A, fazendo questão ainda de dar mais quinzão dos hipotéticos 10% pra eu ficar com o valor que ele supunha integral (tudo no cartão, dps de ele já ter pago em cash os R$50,00 do outro quarto, vai somando): ele só me perguntava se eu ia fazer gostosinho, sem pressa, se eu ia cuidar dele carente daquele jeito, do jeitinho que ele precisava... claro que sim, vou sim, tou adorando vc! Só dps entendi aq vinha essa dinheirama toda, e tou aqui pensando se vai dar pra contar ou se é melhor mesmo levar pro túmulo.

Lá vem ele pra cama, pede um setenta menos um e vâmonos lá. Nada das necas erguerem a crista, verdadeira batalha da molenguidão, quando de repente sinto que ele começa a farejar outros cantos... dois pulos ele tá lá no cheiroso, novo playground da língua dele: lambidela ali em volta, brinca ali tudo, usa a língua com sofreguidão pra explorar cada poro do meu édi, eu achando um barato, vendo o trapo morto dele adquirindo vida. Então vem o papo estranho. "Que tal um sessenta e oito mais um diferente?" Diferente, hm... mas como? "Ah, lá, aqui ó!" E lambe onde ele queria dizer sem dizer coisa alguma, adicionando à lambição um "posso te dar mais cinquentinha dps, qqcêacha?" [CENSURADO .............. CENSURADO .................... CENSURADO ................... CENSURADO]. Cansados os dois, corcovados quase, proponho a ele pegar um 20cm que eu tinha na bolsa, ao que ele aceita de pronto e lá vou eu atrás do negócio. Volto pra cama, ele deitadinho, travesseiro embaixo do bumbum pra deixá-lo mais alto, guanto no coiso e parto pra cima dele. Dessa vez entrou até sem gel e foi aí que eu percebi que se tivesse colocado a mão, ao invés dos dois dedos, ele teria gostado talvez bem mais... ficamos quase meia hora nesse põenfia, ele volta e meia perguntando "tá me comendo, amor?" Eu dizia que sim, mas cansada dessa frase tosca (não sei se mais cansada da frase, ou do põenfia), eu tentei variantes; chamei, inclusive, ele de cadela, tratei no feminino, mas ele não pareceu se empolgar e aí era voltar pressa mesmo, fazer o quê.

Pam! Pam! Pam! "Pô pará esse romance aê, cabou a farra!" A responsável pela casa, delicada como um trator quase derruba a porta, ao que ele de pronto me diz: "vou dar mais cinquentinha dps, aí a gente fica mais tempo, né?" Oitenta é o valor mínimo pra pagar na máquina, amore... vamos fazer assim, vc passa os R$80,00 e eu te devolvo trinta em dinheiro (torcendo pra ele dizer não precisa). "Ah, não precisa devolver não, só me paga uma cerveja no trailer aqui na frente quando a gente sair e tá td certo". Ok. Eu aviso a generala q rolar mais aqüé, ela responde que ah é?, então tá. Daí decidi ser mais direta: tava já na hora da "cláudia gritar" gostoso pra eu ver, eu disse pra ele, e ele respondeu que tava sim e que queria que a "cláudia gritasse" com a minha mão, enquanto eu sentava gostoso na bocona dele. Cena armada, fiquei incrédula ao sentir ele abrindo minhas bochechas de trás com força (até machucou de tanta força!) pra poder enfiar cada vez mais fundo a língua no édi... à falta de neca, ele tinha uma língua dura e tava se deliciando em descobrir meus sabores e texturas mais íntimos. Dois minutos assim e pela primeira vez vi ali uma neca meia-bomba, o suficiente pra fazer a "cláudia gritar". Sigo na mão, cada vez mais invadida por ele, ele sôfrego se lamuriando, gemendo, gritando quase, até que por fim a "cláudia" começa a jorrar farta, e eu continuo ainda um pouco mais, até esvaziá-lo todo. Ufa. Depois, foi só se limpar rapidinho, efetuar a transação última, os oitentinha restantes (querendo ainda me levar em casa: "conheço bem Barão, trabalho na Unicamp", ele disse, e eu "sério? quase que não conheço os lados lá da Unicamp"), e sair pra tomar a merecidíssima cerveja com ele, ele todo carinho, namorandinho, "vou voltar, viu?", eu pagando mas td bem, cervejinha que me dei de prêmio pela noite uau ainda não sei nem direito que palavra usar: que que são doze reais perto dos cento e oitenta e cinco que ficaram pra minzinha sozinha? Tou rica, gente!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

MARICONA A PRIMEIRA, AGORA SIM (I)

Duas horas de pernilongo e calor, só veio o véi da mototoquinha. Já cogitava tirar trinta do bolso e voltar pra casa toda jururu zerada (medo de sair do Itatinga com o srzinho lá), quando aparece um cinquentão xis, pançudinho, viril, todo peludo, forte, quê negociar o que, aceita de cara os quarenta pra eu atender gostosinho ele lá no quarto, oq rolar rolou, e vamovamo. Fiquei feliz pq aqueles R$40,00 me deixariam quites (dez do quarto, trinta da rua), e aí os cem do "quernamorar?" ficariam só pra mim, se eu aceitasse ir pro barraco dele. Mas quarenta era o início e, entrando no quarto, ele já veio adiantando a oncinha e deixa o troco pra lá, quero só vc, dá cá uma bitoquinha. "Tou tão carente, vc cuida de mim?", repetia ele a cada cinco segundos, irritante de tão infantil, e eu, ai, claro que vou, adoro homem carente, sei cuidar de vc direitinho. Ele se veste como veio ao mundo, pede um banho, mas o quarto ali específico (oq esperar dum que cobre dez merréis?) tinha chuveiro não, sabão mto menos... ele, bem, nem parecia assim sujo, e aí eu resolvi resolver logo o problema pra poder voltar logo pra rua, então fui assim mesmo -- mas foi só começar o kétchy e já saí cuspindo areia (pô, areia, ele foi brincar no parquinho antes de vir pra cá!?). Tive que interromper e "melhor vc dar uma lavadinha aí na pia, pelo menos", oq ele faz prontamente e nem tchum. Nessa hora ele já começa a perguntar do cartão: "será que não tem maquininha aqui? Aí eu posso te dar cinquenta a mais pra vc ficar bem tranquila, sem pressa, o tempo que for... não tenho mais nada em nota aqui na carteira, olha só, senão eu dava" (e me mostra todinho o interior, item por item). Eu sinceramente não sabia se tinha máquina ali, cabaça de tudo em matérias de como é que se faz, e disse que naquela casa provável que não, mas na da rua de cima, onde eu preferia atender, ali tinha certeza máquina e até chuveiro, sabão com sorte... "Depois a gente vê então, vem cá pra eu te curtir um pouquinho, tou todo carente". Ficou admirado que eu beijava, "ai, que gostoso, vc beija", mas não me deixava pôr a língua lá dentro da boca dele e ele próprio só deixava a pontinha da dele de fora (o bafinho de onça gritando, mas aí eu lembrava da onça recebida e daq poderia ainda vir a vir) praquilo que ele chamava beijo. Achei bizarro, mas só pq nem imaginava oq ainda viria, senão reservava a palavra pra dps.

Começa. Tou eu lá trabalhando a molenguidão dele, inendurecível pelo jeito embora ele não parasse de dizer "que gostoso" -- língua, boca, mão, tentei tudo, as minhas habilidades não poucas, e com isso a minha molenguidão se fez tb nítida, pq dependo duma boa durezidade pra ficar ouriçada --, qdo ele me pede pra pôr o dedinho ali no cheiroso, o dedo msm, e não outra coisa vcs sabem bem oq, talvez por perceber que eu não estava a ponto de bala. Fiquei com nojim de sujar (sabonete não é bem, digamos, artigo fácil por essas bandas), mas nem confiança: se era pra ser, que seje. Dedim na portinha, carinhozinho, sigo trabalhando a malemolência dele à base de boca e mão, nada de resposta pingulínica. Enfio de leve, pontinha só (que mrrrda diabos pq fiz isso!?), ele pede mais, eu sugiro guanto e gelzim pra fazer bem gostoso, lá fundo... nem coragem de olhar, mto menos cheirar, pra ver como andava o corajoso! Botei então dois no guanto (primeiro ver se ele aguenta né? Prevesse eu o futuro e já tentava a mão duma vez), e passei a futucar o éd dele, a princípio leve, aí vi que ia fácil, ele gostava, e aí mais fundo, e sem dó, e com toda a força, sempre com medo da unha furar o guanto, ainnn! A resposta era sempre o gemido de sempre, "gostoso" ou coisa do gênero, mas sem qqr levantamento do peso morto -- o curioso é que, msm assim, parecia que ele tava de fato gostando... Ficamos ali tipo meia hora só na futucação, até que de boa vontade ele sugeriu irmos pro tal do outro quarto, onde tinha chuveiro e ele podia me dar mais um dinheirinho: "ciquenta pode ser?, ou cem quem sabe, pra vc ficar tranquilinha, aí não tem pressa, né?" Deixei ele no quarto esperando enquanto eu ia lá devolver a chave, aí pegamos o carro dele, subimos um quarteirão e voilá chegamos.

[cont.]

domingo, 11 de janeiro de 2015

PRIMEIRA MARICONA (AINDA NECA)

Noite difícil, pernilongos não deixavam em paz, calor, calor, calor, quando me surge quarentão já mei castigadim pelo tempo, montado na mototoquinha e "quer namorar comigo?" Eu toda jeitosa não é bem assim, mas quem sabe um amorzinho gostoso e ele me vem com história de vida, dois filhos, mulher que o corneou qdo dava duro no batente, quase mata a fiduma, agora mora só ele e o irmão, "pago tuas conta e deixo até vc continuar a trabalhar aqui!" Diz e solta uma piscadela de cumplicidade pra mim, tentação só que não (ele até deixa eu continuar a trabalhar, acredita? Rysos). Ai, eu super adoraria, amor, mas não tem nem como, a gente mal se conhece direito... e o amor? "Você é nova aqui, né? Qto é pra passar a noite comigo lá no meu barraco?" Cem. Fui abusada no preço, ele aceitou, e eu quase não acreditei que ia voltar pra casa sem dever dindim, assim facim facim (mas morrendo de medo de ser doce dele, e ele amorzinho todo "quê isso! O de cada um é de cada um, sou dessas, tem risco não"). Trocamos telefone e combinamos dele me ligar por volta das 22h e aí eu ia com ele umas 23h... mal sabia eu que a noite me reservava coisa melhor, que eu nem ia precisar atender telefone e me arriscar pra fora das bandas do Itatinga! Mas agora é dormir, o relato babado vem amanhã (já até pensando oq vai dar pra contar, por causa da vergonhinha me queimando por dentro!).