sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

BUMBUM DODÓI, NÃO SÓ O BUMBUM (II)

O sonho era dormir num peito acolchoado de pêlos, meu sonho, aninhada em braços viris, toda a noitinha. Mas antes tinha ainda o sexo e eu, tarada como não se via há tempos, queria porque queria transar. A TV ligada, ele quem quis, só pra fazer barulho e luz. Fiquei desengonçadamente sem jeito nua, ele não deixou por menos, veio me beijando comonde quisesse, me apertando firme nos braços com seu corpanzil ("construção civil", ele disse, de onde vieram-lhe os músculos)... e enquanto isso eu, mais alta, braços mais longos, tentava fazer com que ele e só ele envolvesse meu corpo, me abraçasse, porque era eu quem queria se sentir protegida, a moçoila indefesa. Mas vez ou outra eu liguei o automático e aí soltava os brações atrás dele, quase um molusco, igualzinho o falecido faria, igualzinho eu nunca mais quereria fazer, porque era assim que eu me sentia homem, era assim que não dava mais, que não tinha mais jeito.

Empurrei ele pra cama, ele se deixa cair, vou por cima e abocanho oq ali me interessa. Estava nervosa até então, medo de não me excitar e ter que fazer assim mesmo, ter que dar, medo de e se não fosse tão bom quanto eu imaginava, imagina uma noite dessas!? Mas não foi bem assim que se deu, quem me dera. Ali na cama o meu território, e não deixei por menos: chupava como queria, ele acarinhando meus cachos, sem fazer pressão, me deixando à vontade. Fui tomando gosto e fazendo cada vez com mais gosto, ele deixando mas me segurando às vezes, "senão vai leitinho na boca". Quando chegava esse ponto, eu voltava pro boca-a-boca e lá me esbaldava, toda encolhida pra ele me agarrar bem, me envolver fácil. E foi esse o jogo um bom tempo, até que ele resolveu me atacar onde eu mais temia, onde por falta de prática (voluntários?) sempre me dói. Não tem gel que facilite a entrada daquele chouriço... e eu ria de ver, ria imaginando como é que aquilo entraria de novo no meu furico. Toda vez a mesma coisa, mas dou conta sempre. Aquilo era como um gozo sem gozo nenhum: eu perdia total o tesão, adeus ereção, e dali em diante era na garra, haja força de vontade, acaba logo. Doeu, como doeu, pra pôr e, não bastasse, ele queria ficar mudando de posição -- eu, por trazê-lo de longe (ainda que aceitando a bagatela dos 50 merréis pela noite toda), me sentia na obrigação de aceitar oq quer que fosse. Chrrk!, lá se foi-se uma camisinha, a primeira a se escafeder no exercício da profissão: bendito PrEP, por isso me sujeitei a você, pra não entrar em pânico nessas horas. Pusemos outra, tudo nos conformes, segue-se o empalamento, eu franguassando na beira da cama, ele de pé indo até onde era possível. Estocadas cada vez mais fortes, o corpo dele tenso, músculos tesos, me seguro pra não gritar, pra não dar na cara o qto eu queria que acabasse logo (e é estranho que seja assim, porque antigamente eu adorava, sentia um prazer tremendo). Ele goza e desaba em cima de mim, relaxa os músculos, me abraça e beija carinhosamente. Ficamos assim algum tempo, eu feliz da vida -- agora era só dormir pra realizar meu sonho. Mas ele quis conversar. Antes tivesse dormido.

-- Já que você não quer namorar comigo, você podia me apresentar uma bicha.
-- Bicha?
-- Uma travesti, pra eu namorar.

Fiquei sem palavras. 'Bicha', 'viada' e afins são palavras que a comunidade travesti usa corriqueiramente, sinônimos de 'travesti' sim, mas só nessa comunidade: fora dele é ofensivo, acintoso, grosseiro. Eu ali querendo curtir a noite naqueles braços, dormir de conchinha ou como quer que fosse, e ele me pede uma bicha, uma qqr, qqr uma, pra me trocar por ela? Foi por isso que aguentei calada o empalamento? Ai se eu pudesse simplesmente mandar ele à merda e ir pra casa. Mas três da manhã, não tinha nem como. "Só vc msm, Alice: não se apegue por essas mariconas", me diz sempre uma amiga, e eu respondia "que isso!, não tem risco algum", ali toda me doendo. Rrrrrrr.

-- Não, não tenho ninguém pra te apresentar.

E ficou por isso mesmo, mas a coisa ia longe de acabar. Tentei relaxar, esquecer a tosquice, aproveitar o peitoral cabeludo, os brações fortes... ainda dava pra brincar de mocetona sonhadora. Por fim, dormimos. Despertador toca às 09h30, enrolamos na cama, sem beijos dessa vez (já não tava afim de enfrentar bafo de onça dps doq ouvi), mas ele acordou excitado, tesão de mijo talvez, e não dava sossego. Eu só queria ir embora, ele só queria mais uma. Tentei fugir, ele forçou a barra. Pela primeira vez nos três programas que fizemos, ele pouco se lixou pra minha vontade: pegou minha cabeça e arredou ela até o pau dele, eu sem vontade alguma de chupar, eu só querendo ir pra casa. Ele não disse nada, mas tava na cara que se sentia no direito de forçar umazinha a mais, "tou pagando". Vai vendo. E eu, sem nem ter recebido ainda, sem saber se ele pelo menos me pagaria a mais por essa porcaria que virou meu sonho (detalhe: ele escolheu hotel de cem reais, ao invés de um de setenta, apesar de eu falar que o de setenta tava ótimo... quis me impressionar? Porra, preferia os trinta a mais no meu bolso!), fui deixando ele me obrigar. Chupei sem querer chupar, a boca resistia, minha periquita ainda dormindo, e o gozo dele não vinha por nada. Ele tentou me comer, mas doeu demais, mais doq eu aceitaria, machucada que estava da noite anterior, e tive que reclamar até ELE desistir. Aí tirou a camisinha e veio pra beirada da cama ser chupado, veio como quem manda, como quem acha que manda, e eu desnorteada não sabia como dizer não. Dei meu melhor, fiz sem vontade alguma, com ódio até, mas fiz, e ele, dps de algum esforço, gozou um desses gozos bestas, só por gozar, só pra mostrar que pode, o rei da cocada. Mantive as aparências sei lá pq, nos vestimos, recebi os cinquenta prometidos só (!!), vi ele acertar com o hotel, conversinha à toa antes de nos despedir. Tchau tchau, volte sempre. Vazei tão logo me vi livre. Queria chorar, nem isso deu.

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