quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O QUE O PL GABRIELA LEITE TEM A VER COM ISSO?

É incrível como dentro da prostituição, com o Estado eximindo-se por completo de regular essa atividade, ainda seja possível que algumas prostitutas encontrem algum grau de liberdade no seu exercício. Chega o cliente, apodera-se da poltrona e cinco garotas semivestidas desfilam na frente dele, o acesso à intimidade de cada uma delas valendo o mesmo preço: "eu quero aquela", e 'aquela' tem que atendê-lo ou, então, pagar à casa o valor que a casa ganharia com esse programa (metade provavelmente, pra pagar os custos de manutenção, o quarto que será utilizado, a 'limpeza' das roupas de cama e banho, a vitrine que a casa 'oferece' às profissionais do sexo, a 'proteção' inerente ao trabalho sexual exercido dentro duma casa). Quem trabalha assim se vê poupada do esforço e desgaste de ter que 'xavecar' o cliente, seduzi-lo, gastar saliva, mas em troca não pode se dar ao luxo de recusar quem a escolhe. O processo é assim acelerado, olha-escolhe-vão, perde-se pouco tempo em blablablá. As que trabalham no portão podem escolher recusar um cliente que não desejam atender, mas precisam ser boas no papo pra conseguir fisgar o desejado, atraí-lo, enfeitiçá-lo, fazer com que ele acredite que nenhuma outra lhe daria oq só ela daria. Nenhuma das duas tem autonomia para atender o cliente fora daquela casa (ou então paga-se uma simpática taxinha absurda à casa: todos têm que tirar o 'seu', né?). Já as que trabalham na rua, como é que fica? Oras, a rua é pública, então elas estão expostas a todo tipo de violência, mas tb possuem liberdade total pra irem onde quiserem, fazerem oq der na telha pra conseguir o 'seu' e pra pagar pela vitrine q a rua oferece. Há tb as que atendem em casa, sem a proteção dum 2x2 que intimidaria clientes sem-noção, elas pagando a websites pra divulgação de fotos e informações do programa, fazendo de chats e redes sociais importantes ferramentas publicitárias (nada impede tb que evitem o contato físico apelando para o sexo virtual, para exibições na webcam). Não dividem com ninguém seus ganhos, mas são responsáveis por todas as despesas envolvidas na atividade.

Oq o PL Gabriela Leite tem a dizer sobre cada uma dessas modalidades? Uma pessoa me contou um relato especial doq houve com ela um tempo atrás, relato bastante expressivo sobre a necessidade do Estado se meter por esses lados. Ela abriu uma pensão para travestis, estipulou um preço xis nada abusivo para a diária (queria apenas oferecer um ponto de apoio para suas iguais, não visando lucro nem se manter com isso), mas como as travestis que lá moravam todas trabalhavam com prostituição ainda que não na casa (que mais elas fariam?), a polícia cravou os olhos gordos ali, chegou ameaçando enquadrar a pensão como casa de prostituição e, visto que isso seria crime (prostituição não, só o lucro em cima do trabalho sexual de outra pessoa), extorquiu a pessoa a pagar uma quantia xis de tanto em tanto tempo, fora os R$10.000,00 de entrada pra não fechar a casa... oq não era uma casa de prostituição mas sim uma simples pensão para pessoas excluídas de qqr possibilidade de alugar o próprio imóvel, por força da ação policial, que se baseia na ilegalidade da cafetinagem (e na ambiguidade da lei que define essa prática) para poder lucrar com isso, se transformou em casa de prostituição. Como se vê, ganhar com o trabalho sexual alheio é crime, mas extorsão não. Oq o PL Gabriela Leite tem a ver com isso?

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