quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O PORNÔ PRAS PUTAS

"-Quer?
-Será, ai, sei não, e se descobrem, meldelz!...
-Nada a ver, é só público europeu, tem nem como.
-Mas a gente ganha pra isso?
-Você 500 pq é homem, travesti é mais, 800.
-E oq q a gente faz?
-Sexo, oras: tudo igual o nosso dia a dia, namorandinhos mas bem safadjeenhos."

Foi assim que minha namorada, uma travesti requisitadérrima pra pornôs (ela mal começava a transição na época, sempre de picumã e nem peitinho de hormônio, mas dona duma neca odara de 24cm, destruidora mesmo, já toda mulher, belíssima, nossa e como!), me convidou pra participar dum filme. Eu, lá pelos 20, um menininho tonto, tentando viver na transição dela a que eu sequer me permitia imaginar pra mim, aceitei. Seria a tarde inteira numa chácara nos arredores de SP, vários filmes sendo gravados juntos, transporte e comida na faixa: só tínhamos que transar, e era isso. Fizemos a xuca bem feitinha ("nada de restos fecais lá na hora, viu?"), e fomos pro quarto. Me deram meio comprimido de viagra pra ajudar, pq eu estava nervosa -- super compreensivos, sem fazer qqr pressão. Foi um sufoco. A câmera não me deixava à vontade e eu, que já tinha relacionamento complicado com a minha neca, não conseguia deixá-la dura por nada. Saíram do quarto, deixaram só a câmera e nós duas: nada de endurecer. Outro comprimido de viagra, a cena foi rolando, fiz a passiva enquanto isso (sem guanto, com namorada era assim), mas não teve como. Por fim cansaram de esperar e trouxeram um dispositivo estranho, tipo um negócio de ketchup de lanchonete, cheio duma pasta feita a base de xampú que parecia porra... deixei a neca dura o mais deu, aí eles apertaram o negócio, e zás! parecia que eu tinha gozado. Toda treinada no vício (na língua travesti, o bajubá, "fazer por vício"é "ser viciosa, transar de graça, gostar da coisa"), super dada a aventuras, tava ali bamba de medo da câmera que me perseguia, que não me deixava em paz... O engraçado foi que, fazendo já mais de um mês que a gente namorava, aquela foi a única vez que eu dei pra ela sem me doer e me lamuriar, a única vez que senti prazer de verdade dando pra ela. Ganhei o dindim, e é óbvio que nunca mais me chamaram. Nenhum trauma entanto, só o medo meio que permanente de alguém encontrar o bendito filme algum dia, medo que durou até o começo desse ano, qdo cansei de guardar segredo e saí vomitando a história aos quatro ventos -- nunca vi mesmo, sei lá se existe, sei lá se vão me reconhecer.

Mas lembro bem doq ela dizia a respeito e, hj, quando vejo gente que não é atriz pornô vir propor a abolição desse tipo de filme (ou mesmo da prostituição), penso: "pq não propõe o fim da sua profissão, ein, meu beiiim?" 800 reais na época e ela fazia vários por semana: agora eu te pergunto quantos programas (média de uns 70 reais cada um) ela teria que fazer pra chegar nesse valor? Numa tarde, fazendo uns dois, três filmes, dava pra ela ganhar o equivalente a uns 30 programas... transando só com gente conhecida, sem riscos de violência, um pessoal em quem ela confiava, que a tratava bem. Ela combinava programa só pela internet, tinha medo da rua, recém-chegada em SP do Nordeste, tendo que mandar dinheiro pra ajudar a mãe: os filmes foram um paraíso na vida dela. E viciosa como eu, só que beeem beeeem mais, pq câmera alguma inibia aquela potencialidade toda, aquela vontade ininterrupta de amar, não tinha qqr dificuldade pra se entregar por completo na cena -- ela vestia a camisa por assim dizer, fazia por gosto e gozava de verdade.

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