terça-feira, 16 de setembro de 2014

E SE EU FOSSE PUTA

Me julguem, bem que eu tentei. Sempre vivi algum gosto por me sentir objeto do desejo alheio, corpo que se podia (uma vez dada a minha expressa permissão) pegar e usar à vontade, sendo a minha vontade expressamente submeter-me a essa vontade alheia. Quantas vezes, aliás, eu já não havia sido mulher de algum homem xis nos banheiros públicos (era exatamente assim que eu me sentia, que eu me descobria: me usa, por favor, e depois me descarta quando não quiser mais, eis o meu gozo...), eu a mulher do banheiro, a mulher no banheiro, pois muitas das vezes a de papel passado estava esperando ali do lado de fora, sem nem desconfiar dos motivos da demora do marido. Talvez eu levasse mesmo jeito pra coisa. Como diria uma amiga, porque fazer de graça oq eu faço de melhor? Na pindaíba em que me encontro, a ideia encontrou solo fértil e foi se assenhorando de mim. Quando vi, já estava na rua à cata de olhares, tentando seduzi-los a parar, me ouvir, me desejar... Percebi rapidinho que a ideia de alugar minha intimidade, o tempo de contato íntimo com meu corpo, parecia mais fácil na teoria que na prática: quanto valia esse tempo? Quanto valia esse corpo? Falar X significava ouvir X-Y, e esse processo da barganha ia consumindo a minha auto-estima. Então eu, virgem desde que iniciei minha transição 6 meses atrás, valia 20 reais pra uma transa completa num estacionamento do Itatinga (meretrício de Campinas)? O valor me horripilava, mas ainda que fosse o dobro, o triplo, eu continuaria me sentindo ultrajada. Minhas amigas de profissão diziam, antes 20 na sua bolsa que na da outra, pois alguma vai surrupiar o dinheiro -- q seja vc, boba! Mas eu travei. Tive medo de não conseguir dar conta e ver o homem que cedia os 20 reais pra me ter por uns parcos minutos dizer que aquilo que haveria não valia os benditos 20 reais. E eis que se foi a única proposta concreta nas 4h que fiquei ali ao relento namorando olhares. Noite ruim, disseram azamigas: o bom mesmo era a madrugada. Mas eu estava desguarnecida de roupas, recém recuperada de uma gripe, auto-estima lá no chão. Sem condições para enfrentar tudo aquilo por mais várias horas a fio. O salto alto tb oprimia meus pés, e eu queria era um abraço gostoso das cobertas. Tirei daquele fracasso total uma deliberação: agora era momento de viver meu próprio corpo, conhecer o sexo como mulher, com quem quer q seja mas livre de amarras e obrigações, antes de ter qqr expectativa dq isso possa me conceder recompensa financeira. Não digo que não tentarei novamente, mas sim que não é hora de pensar mais nisso. Amara está virgem e quer reaprender a amar, a transar, a sentir e dar prazer... não será na rua que aprenderei oq quer q seja. A rua é lugar pras que já se entenderam. E deixo o convite pra quem acha que é vida fácil, dinheiro fácil: faz o teste, benhê, se joga na rua e dps me conta. ;)

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